O dia em que o prédio falou

O dia em que o prédio falou

Angélica Arbex

24 Março 2016 | 15h01

casa flor

Encontrar uma nova casa para morar é uma tarefa para os bravos. Ainda mais quando a casa em questão não é só pra você, mas precisa abrigar a sua família atendendo necessidades distintas e na maioria das vezes complementares. Casa é mais do que 4 paredes, um teto, um lugar pra voltar no fim do dia. É lá, na casa, que a gente fica mais completo e exerce, com toda liberdade possível , a nossa identidade. Da porta pra dentro, olhando para paredes, cores, formas, muito se sabe sobre o jeito de viver daquela turma.

Acontece que, com a verticalização da cidade, as fronteiras entre a minha casa e a sua casa ficaram quase inexistentes. Um elevador, uma parede e, pronto, outra história, outra casa, outras gentes. Os detalhes que fazem com que a gente escolha são tão, mas tão particulares que certamente não cabem em campos de busca dos sites das imobiliárias, mesmo aquelas buscas mais detalhadas.

Como é que eu vou dizer que o apartamento para mim precisa necessariamente ter um elevador que não me dê falta de ar. O prédio pra ser perfeito tem que ter aquele zelador gente boa e crianças com a idade dos meus filhos. Não gosto de grandes avenidas, mas também não pode ser longe delas, porque chegar e sair tem que ser simples.  Além de tudo isso é muito importante que o prédio fale comigo, que me faça me sentir, de fato, em casa.

Alguma coisa lá precisa bater! O jardim perto do portão, as cadeiras da piscina, o quadro no hall,  a iluminação, a porta de entrada, o caminho até chegar no elevador. Pense só nas coisas que fizeram você escolher o seu novo apartamento. Em quantos você foi visitar que atendiam todos os requisitos da busca: 3 dormitórios, 80m, 2 vagas, preço adequado… O que fez você escolher não foi nada disso, ou melhor, foi alguma coisa além de tudo isso.

Escolher um prédio para morar é também escolher compartilhar a sua vida com um monte de gente nova, diferente de você. Compartilhar espaços e tantas vezes histórias. Desse jeito a gente vai ficando meio parecido com o lugar; e deixando o condomínio mais parecido com a gente também. Não sei bem o que se transforma primeiro; E essa transformação coletiva vai desenhando o jeito de ser, a identidade dos bairros e das cidades. E tudo começa com o primeiro passo. Uma família que escolhe a sua nova casa!