Mapa da Inadimplência nos Condomínios

Mapa da Inadimplência nos Condomínios

Angélica Arbex

22 Março 2018 | 12h18

A inadimplência nos condomínios vem caindo. E esta é uma ótima notícia. Primeiro porque mostra uma reação importante no setor de serviços e, sobretudo, porque a inadimplência é o principal fator de risco para a saúde financeira dos condomínios. Quando o condomínio não tem recursos, os cuidados com manutenção e valorização são os primeiros a serem esquecidos e o resultado prático e direto é a diminuição da qualidade de vida e a desvalorização do empreendimento.

No levantamento recém realizado com base em janeiro/18 nos 2,5 mil condomínios administrados pela Lello Condomínios o índice geral da inadimplência está em 3,7%. O número é semelhante ao apurado pela AABIC – Associação das Administradoras de Condomínios de SP, 3,6% em outubro/2017 em uma amostra semelhante de condomínios paulistanos. Ambos índices menores, por exemplo,  que o último apontamento de inadimplência com cartão de crédito de pessoas físicas que segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito) é  5,2%.

No mesmo período de 2017, o percentual de inadimplência apurado pela Lello era de 4,48%. A queda é bastante expressiva, cerca de 18%. Significa uma recuperação, extrapolada para o total de condomínios da cidade de São Paulo de R$ 8 milhões mensais. Alguns fatores, além da recuperação da economia são responsáveis pela queda da inadimplência: o aumento mais ou menos proporcional – 15% – do número de acordos amigáveis e  as alterações na legislação que permitiram a aceleração das ações de cobrança, podendo já serem iniciadas na fase de execução da dívida.

Para que a inadimplência não se torne um problema no condomínio, ela precisa ser analisada de maneira personalizada. Um condômino que deve uma ou duas cotas precisa de um plano de ação que faça com que ele recupere a capacidade pagadora, antes que se torne um inadimplente crônico. Aquele com dívidas maiores e aparentemente não solucionáveis com acordo amigável, pedem as providências jurídicas ágeis para preservar o condomínio e também o condômino inadimplente. O protesto também é uma saída que pode acelerar o recebimento quando a dívida ainda não se tornou crônica.

O valor pago pelo condomínio é um serviço que entrega aos condôminos segurança, limpeza, valorização patrimonial e em muitos casos, lazer. E assim é que ele precisa ser encarado. Muitas são as alternativas para tornar o valor do condomínio adequado ao padrão do empreendimento e assim contribuir para que a inadimplência se aproxime de zero. Mas certamente a principal providência é acompanhar de perto e trabalhar sempre de forma preventiva para que situação não saia do controle e não se torne um problema de mais difícil solução.

Claro que o caminho não é constranger  o inadimplente (o que inclusive é ilegal), nem privá-lo de circular e usar as áreas comuns. Mas ter um diagnóstico rápido com ações endereçadas de modo adequado. Assim muitos caminhos são possíveis para recuperação da capacidade pagadora do condômino e para a consequente manutenção da boa saúde financeira do condomínio.