Mais honestos ainda vamos ficar!

Angélica Arbex

10 Agosto 2017 | 10h34

Estamos cansados! Cansados e ouvir, repercutir, debater e ver a audiência das TVs subindo nas transmissões de seções da câmara ou do senado. Claro que é bom que toda a sujeira saia de debaixo do tapete e que apareça e que culpados sejam punidos. Mas essa onda toda também tem um preço alto.

Um preço que aparece em todas as esferas da economia, nas empresas, nas relações pessoais e, claro, nos condomínios. Só nesta semana fui procurada por dois jornais de grande circulação para falar sobre fraudes cometidas por síndicos em condomínio.  Eu convivo com síndicos há muitos, muitos anos. E síndicos de todos os tipos extrovertidos, centralizadores, democráticos, tradicionais, digitais, de diferentes idades e estilos de gestão. E nesse tempo todo a esmagadora maioria de síndicos  é formada de gente honesta. Com vontade de resolver o coletivo, de tomar ações propositivas de melhorar o lugar onde vivem ou trabalham.

Dá pra contar nos dedos da mão a quantidade de síndicos com conduta duvidosa que conheci e tratei em 20 anos de trabalho. E as vezes parece, colocando todo mundo no mesmo balaio, que não tem jeito, todo mundo rouba. Parece que a possibilidade de tirar vantagem de uma situação é por si só a condição para que isso aconteça. E não é assim que as coisas acontecem na prática. Não, a ocasião não faz o ladrão!  E nesse contexto uma nova onda vem tomando força: lembrando Elisa Lucinda no fabuloso poema Só de Sacanagem “Então agora eu vou sacanear , Mais honesta ainda eu vou ficar “.

Existe um movimento muito forte de transparência total na gestão dos prédios. Uma pressão feita pelos síndicos. Eles estão exigindo de suas administradoras cada vez mais clareza e mais agilidade na prestação de contas, na democratização das informações e na criação de mecanismos que façam com que os condôminos tenham acesso ao orçamento e ao que foi feito dele. E tudo isso na tela do computador, do tablet ou do smartphone. Onde eles quiserem, da forma que desejarem e no tempo que tiverem livre para acompanhar a gestão do prédio.


O que traz a desconfiança na imensa maioria das vezes é a desinformação. A informação transparente, conectada, democrática em uma gestão participativa é a contramedida mais eficaz para qualquer desconforto entre síndicos, condôminos, conselheiros. O síndico não precisa ser profissional especialista em finanças, em contabilidade, em gestão de riscos pra ser um bom síndico. Não precisa ter grande experiência ou muito tempo livre disponível, mas sem dúvida precisa entender o papel que ele exerce em sua comunidade.

O síndico é quem toma as decisões que irão influenciar no valor de mercado do seu maior bem, do seu maior patrimônio acumulado durante toda a vida.  Quanto este patrimônio vai valer daqui a 1, 5 ou 10 anos depende diretamente da maneira como ele foi administrado, das decisões tomadas pelo síndico. Das iniciativas para valorização, dos fornecedores e parceiros escolhidos, dos passivos que foram criados. Vale a pena participar e ficar perto dele, você não acha?