Esse som é irritante?

Esse som é irritante?

Angélica Arbex

03 Julho 2015 | 09h13

Sabe aquele ditado “a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do outro”? Essa máxima resume muito bem como a gente deve tratar os problemas de barulho nos condomínios.

O barulho é um problema recorrente, que parece simples, mas pode ficar muito grave e trazer desconforto e chateação em excesso num lugar onde tudo o que a gente precisa é de paz: a nossa casa. Durante todo esse tempo que eu convivo com a vida vertical já me deparei com situações curiosas, engraçadas, bizarras, complicadas sobre os barulhos nos condomínios.

Na época da última copa do mundo me lembro dos amigos em casa, a maior euforia, criançada, buzinas e eu implorando por silêncio para terminar uma entrevista com uma rádio dando dicas sobre como gerenciar o barulho no dia dos jogos. Engraçado, né?  Nessa ocasião, a jornalista me perguntou: – “Tem jeito de controlar essa euforia geral, alguém reclama?” Reclama e reclama muito. Viver em condomínio é conviver constantemente com diferenças. As pessoas têm idades, momentos de vida, repertório, jeito de lidar com as emoções e necessidades diferentes.

Isso vale para o dia da copa, para a noite de réveillon, de final de campeonato brasileiro ou para a festa de aniversário comemorada em casa. E, saber viver em condomínio é saber que embaixo, em cima, e na parede ao lado vive uma pessoa diferente de você. Na teoria parece  muito simples, mas na vida, não é.

O que me ajudou a responder as perguntas sobre o barulho excessivo em datas comemorativas ou quando estamos tentando uma mediação entre dois condôminos sobre esta questão é o apelo ao bom senso. O bom senso é aquele recurso que nos ajuda para que a vida coletiva não vire um caos. Bom senso para quem incomoda e para quem é incomodado. Claro que antes do bom senso existem as regras de cada condomínio. Regras que punem com advertência e multa os infratores e regulam as ações para que tudo caminhe dentro do esperado na grande maioria do tempo. Sempre que eu posso, procuro conduzir as coisas lembrando as pessoas do recurso do bom senso, ele torna as pessoas mais sensíveis quando conseguem se colocar no lugar do outro e isso costuma  provocar  uma mudança permanente de comportamento.

A grande maioria das pessoas nem imagina como pode estar incomodando seu vizinho e só vai descobrir isso quando chega a reclamação e pronto, o clima de mal estar já está instalado.

Para ajudar, vou dar algumas dicas dos principais barulhos cotidianos que incomodam muito nos condomínios e para os quais nós quase nunca estamos atentos. Não vou lembrar daqueles óbvios e que, certamente, você pensou quando começou a ler a matéria: o ensaio da banda de rock, as festas que parecem ter 2 mil pessoas em 100m², a vizinha que transforma a sala em um festival de música eletrônica…

Por aqui, só casos reais e alguns muito frequentes. Meu repertório pode aumentar com a sua colaboração. Conte por aqui o que mais te incomoda no seu apartamento, você pode ajudar mais gente a mudar alguns hábitos e viver com mais harmonia.

fonte: freepik

fonte: freepik

Salto alto: acredite, salto alto e piso de madeira são dois elementos que não combinam. Se for tarde da noite então… Vai chatear.

Secador: eu já tive que conduzir uma longa negociação por causa do uso do secador as 6 da manhã. É incrível como o som se propaga. O mesmo vale para máquinas de lavar roupas, especialmente as mais antigas e aspirador de pó.

Hall: todo barulho que você ou seus filhos fazem no hall do elevador é como se estivessem fazendo na sala de seu vizinho.

Hidromassagem: a banheira ligada tarde da noite quando o condomínio está mais quieto é como uma furadeira no concreto debaixo do travesseiro do seu vizinho.

Brinquedos rígidos em chão de madeira: não precisa de muita explicação. Sons  agudos, repetitivos…

Esteira, bicicleta, aparelhos de ginástica: os apartamentos não são preparados para absorver as ruídos destes aparelhos. Após as 22h o problema é maior.