Antes de quebrar, leia aqui

Antes de quebrar, leia aqui

Angélica Arbex

24 Julho 2015 | 12h54

Quebra quebra, confusão, sujeira, briga entre vizinhos. Quanta dor de cabeça uma reforma pode causar. E o que é pior, desabamento, comprometimentos estruturais, problemas ainda mais graves e sem solução.

Se você está reformando o seu apartamento ou pensa em fazer isso num futuro próximo, você precisa ler esse texto. Ele vai te ajudar com aquilo que talvez seja o mais difícil de tudo quando se pensa em reforma: começar direito, acabar no prazo e dentro do orçamento!

O primeiro passo para quem vai reformar é conhecer a NBR – 16.280. Uma norma publicada pela ABNT e que começou a valer em 04/2014. Por essa norma todo condômino é obrigado, antes de reformar, a preparar uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou um RRT (Registro de Responsabilidade técnica) assinado por um engenheiro ou arquiteto e apresentar um plano da reforma executada. O síndico, ou profissional contratado por ele, deve analisar e liberar a realização da reforma. Só depois dá pra começar.

Essa norma gera, mesmo passado mais de um ano de sua publicação, muita dúvida e muita polêmica.  Para simplificar, veja se a reforma que você pretende executar precisa ou não passar por este procedimento conforme o que está determinado na Norma:

 Você não precisa preparar a ART se:

– Instalar redes de proteção no seu apartamento;

– Fizer pintura parcial ou total;

– Executar pequenos reparos elétricos, hidráulicos que dependam de ferramentas de impacto.

Você precisa da ART para:

– Realizar alterações estruturais: troca de piso, quebras de parede, envidraçamento de sacadas;

– Instalar ar condicionado ou banheira;

– Executar reparos hidráulicos e elétricos com ferramentas de impacto;

– Alterar as instalações elétricas que dependam de engenheiro.

E o que o síndico tem a ver com isso? A  reforma que eu estou fazendo é dentro da minha casa?

Pois é, o síndico é o responsável legal pelo condomínio e por tudo que acontece dentro dele, então é também seu papel conhecer o que será feito e acompanhar para ver se a obra corre toda conforme o planejamento. Se alguma coisa der errado, ele será responsabilizado. Sabendo disso, fica mais fácil entender o porquê da formalização necessária antes de começar o quebra quebra.

Pela obrigação de pensar na reforma toda antes, ficou mais fácil evitar os problemas mais temidos por quem começa a mexer na casa: o estouro no orçamento e o atraso na conclusão que acabam com o humor e a paciência de qualquer um.

Converse com todo mundo que mora com você e, juntos, vocês tomam as melhores decisões. Trocar tomadas de lugar no quarto das crianças que agora cresceram e estão cheios de aparelhos eletrônicos que precisam ser recarregados. Mudar a posição das luminárias da sala, checar a hidráulica e corrigir problemas crônicos, tudo isso faz parte da fase 1: planejamento.

Com o plano completo do que quer ser feito, vem a pergunta. Quanto isso vai custar? Fase 2: orçamento. Está dentro do orçamento? Ótimo. Não está, corta-se o supérfluo. O importante é que o corte foi descoberto antes de começar a obra.

O mais importante para uma obra bem sucedida é, sem dúvida, a equipe que irá executá-la, fase 3:  a equipe. Aqui não é lugar de economia e o barato, sai caro mesmo.

No mais,  com a reforma toda já pensada é hora de acompanhar de perto para poder trocar um material comprado errado, agir rápido se algo não estiver saindo como o planejado, fase 4: acompanhamento. Estar presente, dar instruções e compartilhar decisões de última hora que não comprometam o planejamento estrutural da obra.

Tudo isso junto pode parecer complicado. Mas acredite, vai ajudar a transformar a reforma justamente naquilo que ela deveria ser: uma renovação, para uma nova fase da vida.

Para saber mais sobre a NBR- 16.280: http://www.sindiconet.com.br/842/Informese/ABNT-16280