464!

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Angélica Arbex

25 Janeiro 2018 | 09h30

 

Mais um aniversário chegou e ela não para de crescer. E crescer pra cima! A ressaca de lançamentos na cidade mais vertical do Brasil já dá sinais de enfraquecimento.  O que é uma ótima notícia para uma cidade que tem déficit habitacional de 240 mil unidades. O ritmo de lançamentos residenciais parece retomar os números do começo da década de 2010 e a aniversariante do dia está em obras!

Um em cada três paulistanos mora em condomínios e ajuda a fomentar um mercado que  gera cerca de 200 mil empregos diretos e movimenta uma receita anual de quase R$ 8 bi.   Para se ter uma ideia é mais do que o orçamento de todas as capitais no Nordeste.O orçamento de Salvador para 2017 foi de  R$ 6,7 bilhões e Fortaleza, R$ 7,5 bilhões são os dois maiores da região.


Esse jeito de morar, em comunidade, talvez seja a maior transformação e o maior presente que os condomínios podem entregar para a cidade. Transformar essa coincidência de localização em uma plataforma de compartilhamento de espaços e de novas soluções para a vida urbana parece ser uma vocação que aos poucos os condomínios paulistanos estão descobrindo e colocando em prática.

Em uma cidade tão grande e com tanta dificuldade para deslocamentos, morar perto pode ser uma super vantagem. Já existem muitas iniciativas interessantes aqui e acolá. Formação de grupos de voluntariado, utilização de plataformas digitais para criação de redes de oferta de serviços e produtos de moradores do entorno, compartilhamento de diversos itens de consumo não frequente como escadas, furadeiras e coisas do tipo.

Parece contraditório, mas na verdade, a concentração de pessoas provocada pela superverticalização de algumas regiões tem aberto espaço para um modelo mais humano de vida na cidade. Menos autocentrado e com maior senso de comunidade. Desde iniciativas para o cuidado com a segurança (ou privada) pública até criação de grupos de caronas, passando pelo cuidado com parques e praças no entorno, os moradores dos condomínios de São Paulo estão se conhecendo e se organizando e criando alternativas para transformar a cidade num lugar melhor, mais acolhedor e mais feliz pra viver.