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Com mega, giga, tera tristeza publico o último post do SP no Divã

Bruno Paes Manso

05 Dezembro 2014 | 16h12

marciofernandes

José, quando deixou a Fundação Casa

É com mega, giga, tera tristeza que anuncio o fim deste blog. Já estava fazendo planos para o aniversário de um ano, que seria comemorado no começo de fevereiro, mas infelizmente não deu tempo. Foram 95 textos/notícias, uma média de dez por mês e mais de duas por semana. Não fui nenhum fenômeno de popularidade, mas o blog ganhou relevância política ao longo do tempo.

Já estou com mais de 20 anos de carreira no jornalismo e devo confessar: minha satisfação profissional nunca havia sido tão grande. Poderia passar o resto da vida fazendo isso: acompanhando a agenda da segurança pública e dos direitos humanos pelo SP no Divã, trabalhando como pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência – USP e escrevendo na Ponte Jornalismo. Estava bom demais. Não poderia durar para sempre.

O primeiro post foi no dia 10 de fevereiro: os Assassinos que desafiaram o Governo de SP, sobre um triplo assassinato em Sapopemba. A população local já havia anunciado o Governo que o crime ocorreria, diante de diversas ameaças de PMs. Os homicídios ocorreram mesmo assim.

O excesso praticado por policiais, a impunidade e o abandono das vítimas foi um tema recorrente. Ainda em fevereiro, publiquei sobre o caso do jovem algemado com a mão para trás dentro de uma viatura acusado de ter se matado. A repercussão foi tamanha que uma nova perícia foi pedida.

O caso de José, que fiz em parceria com André Caramante e Gabriel Uchida, foi especialmente emocionante. O jovem havia sido acusado inocentemente de ter participado de um roubo. Policiais invadiram seu apartamento. Promotores pediram sua internação e o Juiz da Infância concedeu. Publicamos o vídeo de manhã provando o erro. À tarde, ele já havia sido solto.

Não vou me estender, mas cito ainda alguns que me recordo sem pesquisar. Houve o fim da revista vexatória, a publicidade do conteúdo das cartas de presidiários, casos que apontaram de forma recorrente suspeitas sobre a conduta policial, a visita que fiz com colegas do NEV-USP e o padre Valdir João ao CDP III de Pinheiros. Neste último, fomos cercado pelos presos como boias para náufragos em alto-mar. Acabei minha jornada no blog escrevendo sobre a ação da Polícia Federal contra grupos de extermínio na Bahia e Sergipe, discussão que certamente estará entre as mais importantes num futuro bem próximo.

Ao Estadão, só tenho a agradecer a oportunidade. Foram dez anos de casamento e mais dez meses escrevendo no blog, quando passamos a dormir em camas separadas. Achei que a relação estava mais madura e produtiva. Mas pelo jeito só eu achava isso. Pessoas queridíssimas do Estadão, com quem sempre mantive relação de enorme respeito, aquele abraço.

Tentarei continuar essa atividade em algum outro endereço. Quem sabe alguns leitores me sigam – também queridos, que compartilhavam e divulgavam algumas dessas histórias. É preciso falar de segurança pública e direitos humanos na grande imprensa sem o tradicional olhar policialesco. Não apenas por mim, mas por outros também. Precisamos lutar por espaço.

Finalmente, mas não menos importante, acabo com um agradecimento super especial à minha amiga Christianne Inglês de Souza, que durante todos esses meses, infalivelmente, apontou os erros de texto que me escapavam. Eu já sou desatento, mas a coisa complica quando estou com pressa, o que ocorreu em 100% dos posts. Revisora da mais alta qualidade, joia rara à disposição no mercado e minha amiga no Facebook pra quem quiser contratá-la.