Leia com atenção o contrato

Leia com atenção o contrato

Jerusa Rodrigues

17 Junho 2013 | 16h04

A garantia estendida – ou seguro – nem sempre é a melhor opção na hora da compra

Por Jerusa Rodrigues*

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Ao adquirir um serviço ou produto é comum os vendedores oferecerem ao consumidor uma proteção extra ou a denominada garantia estendida. Mas é preciso saber que, na verdade, trata-se de um seguro e, como tal, nem sempre é vantajoso, pois possui cláusulas de exclusão de cobertura, ou seja, algumas situações em que a garantia é anulada.

Wellington Medeiros, por exemplo, teve a garantia do seu carro cancelada pela Caoa Montadora de Veículos-Hyundai, por não ter feito a manutenção preventiva. Esse dado estava no manual de garantia, disse a empresa.

Além da estendida, há outros dois tipos de garantia: a legal, que está prevista em toda compra, segundo o artigo 24 do Código de Defesa do Consumidor (CDC); e a contratual ou a oferecida pelo fornecedor.

A leitora Vanessa Lima precisou usar a garantia estendida da Mapfre Seguros, pois sua lavadora de roupas, da GE, estava com problemas. Como solução, a seguradora entregou outra máquina, comprada na loja Fast Shop. Ao recebê-la, a mãe de Vanessa não viu que sua lateral estava amassada, pois os entregadores ficaram na frente da parte danificada. “Quando entrei em contato, ouvi tanto da Mapfre quanto da Fast Shop que o problema era meu,” Felizmente, consegui a troca, mas isso demorou dois meses.”

Sonia Amaro, supervisora institucional da Proteste Associação de Consumidores, explica que, quando um produto já é entregue com vício, ou defeito, como aconteceu, a empresa tem, no máximo, 30 dias para trocá-lo. “No caso da Vanessa, como se trata de produto essencial, a troca teria de ter sido feita de forma imediata, como prevê o CDC”.

O professor Eliel Barros comprou um celular e uma máquina de lavar roupas na Casas Bahia de Santo André. “Na hora da compra, a vendedora informou que os produtos vinham com garantia estendida, mas não disse que o serviço seria cobrado”, diz. A Casas Bahia esclareceu que cancelou o serviço. A rede informa ainda que investe em capacitação profissional para garantir que  as informações prestadas no momento da oferta sejam claras e precisas, de modo que o cliente saiba o que está adquirindo.

De acordo com Sonia, nem o vendedor nem a loja poderiam ter agido dessa maneira, pois consiste em venda casada, que configura uma prática abusiva, segundo o art. 39 do CDC. “O valor relativo à garantia estendida tem de ser devolvido”, acrescenta.

O sofá de Cassia Gabriel dos Santos descosturou em menos de dois meses de uso e foi trocado pela Casas Bahia. Sete dias depois, o estofado cedeu. “Como adquiri a garantia estendida Zurich Seguros, pedi o reparo”, relata. Sonia diz que a leitora nem deveria ter utilizado a garantia estendida, pois o CDC estabelece a garantia de 90 dias para produtos duráveis. “É a chamada garantia legal, já que decorre da própria lei.”

 

Versão ampliada de texto originalmente publicado na versão impressa de O Estado de S. Paulo, em 17/6.

foto: AP