Sistema de bikes compartilhadas de SP terá tecnologia similar à de Nova Iorque e capitais européias

Sistema de bikes compartilhadas de SP terá tecnologia similar à de Nova Iorque e capitais européias

Tomás Martins, CEO da tembici, explica o sistema e os desafios de administrar o novo sistema de compartilhamento de bikes paulistano.

Alex Gomes

30 Janeiro 2018 | 17h44

O novo sistema de bicicletas compartilhadas de São Paulo passa a funcionar nesta terça feira, 30 de janeiro. Utilizará a mesma tecnologia aplicadas em cidades como Nova Iorque, Londres e Montreal – com bicicletas e estações de retirada e devolução projetados pela empresa canadense PBSC.

A importação ficará a cargo da tembici, empresa especializada em mobilidade urbana, com patrocínio do banco Itaú. Tomás Martins, CEO da tembici, explica o sistema e os desafios de administrar o novo sistema de compartilhamento de bikes paulistano.


Estado – Vocês firmaram uma parceria com a empresa canadense PBSC para trazer o modelo de bicicletas compartilhadas feito por ela. Porque escolheram esse sistema?
Tomas Martins – Há exatamente um ano, meus sócios e eu fomos conhecer os principais sistemas de compartilhamento de bicicletas do mundo. Visitamos cidades como Nova Iorque, Filadélfia e Montreal, além dos fabricantes com as principais tecnologias disponíveis nos Estados Unidos e na Europa. Quando visitamos essas empresas, analisamos fatores como usabilidade, isto é, quão simples seria para o usuário retirar uma bicicleta; a experiência da empresa; a robustez do sistema, tanto a parte de hardware como software para combater o vandalismo; além de critérios econômicos e capacidade de entrega. Escolhemos a PBSC porque a empresa conta com a tecnologia mais utilizada e, consequentemente, mais testada no mundo. Ela é responsável pelo projeto das bikes compartilhadas de Londres – com 10 mil bicicletas utilizadas de 5 a 7 vezes por dia – e de Montreal, que funciona há 9 anos. Só no ano passado foram mais de 3 milhões de dólares em investimentos.

Bicicletas compartilhadas em Londres

Estado – Atualmente, ganha destaque no mundo o sistema de bicicletas compartilhadas dockless, que não utilizam estações e nos quais o usuário retira e devolve as bikes em qualquer lugar. Vocês chegaram a cogitar trazer esse sistema para São Paulo?
Martins – Nós avaliamos, porém entendemos que o momento é de utilizarmos aqui uma tecnologia que já é a melhor do mundo e melhor testada. O sistema dockless, até o momento, só deu certo na China. Em outras cidades do mundo no qual foi implantado, ele  ainda não se sustentou. Para que o paulistano utilize mais a bicicleta compartilhada no dia a dia, ele precisa confiar no sistema de compartilhamento e entendemos que o sistema de docks é a melhor forma de oferecer isso.

Estado – Vocês já operam com o sistema da PBSC em Pernambuco desde setembro de 2017. Como tem sido a experiência?
Martins – O número de utilizações das bicicletas por dia dobrou. A nota de satisfação dos usuários também aumentou em cinco vezes. Pernambuco mostrou que o sistema realmente funciona.

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Estado – Quais os principais desafios de operar um sistema de compartilhamento de bikes em São Paulo?
Martins – Há um movimento de consolidação da bicicleta como meio de transporte e sabemos que as bikes compartilhadas são vertentes fundamentais para isso. Queremos que isso avance. Que as pessoas, ao saírem de casa, pensem como primeira opção ir de bicicleta e então, se não for possível, considerem outros meios. É a lógica contrária ao que ocorre hoje, em que se pensa primeiramente em ir de carro e, se não der certo, procura-se outro meio. Inverter essa lógica do paulistano é o principal desafio que nós temos. Fora isso, a cidade é complexa do ponto de vista da logística e isso nos obriga a definir cuidadosamente as estações de bikes compartilhadas. Algumas, pela questão das análises que nós tivemos de utilizações por região, precisarão de 50 vagas, enquanto outras serão bem atendidas com 12 vagas, por exemplo.

Estado – Qual a meta de viagens de bicicletas compartilhadas por dia para São Paulo?
Martins – Gostaríamos que cada bicicleta fizesse entre 4 a 6 viagens por dia. Se conseguirmos que o sistema inteiro tenha 10 mil viagens por dia ,serão 10 mil pessoas se locomovendo por bicicleta na cidade. Está longe do que a cidade precisa, mas seria um belo começo, uma transformação.