“Queremos estimular a leitura por prazer”

Estadão

03 Junho 2009 | 03h00


FOTO: André Lessa/AE

Por Edison Veiga

Ontem a Estação Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanas (CPTM) ganhou uma biblioteca (foto acima). É a sexta unidade paulistana do projeto Embarque na Leitura, que começou em 2004 no Metrô Paraíso e depois se espalhou pelas estações Tatuapé, Luz, Largo Treze e Santa Cecília. Principal idealizador do projeto, o diretor do Instituto Brasil Leitor, William Nacked, conversou com o Estadão:

A biblioteca da CPTM é igual às do Metrô?
Sim, é o mesmo projeto. A CPTM já chorava há muito tempo que também queria a sua biblioteca. Eles tinham ciúmes do Metrô. E hoje (ontem) inauguramos a primeira biblioteca brasileira em uma estação de trem.

E por que escolheram a Estação Brás?
Pelo mesmo motivo que, há cinco anos, escolhemos a Paraíso para começar o Embarque na Leitura. Porque é um entroncamento, por onde circulam mais de 450 mil pessoas por dia. E também porque ali há um espaço físico muito bom para a instalação do acervo.

Há planos para expandir para outras estações da CPTM?
Eu não tinha planos. Mas pelo sucesso de hoje (ontem) já fui intimado a fazer em outras. No segundo semestre devemos estar nas estações Itaim Paulista e Osasco.

Além dessas bibliotecas, onde mais o Instituto Brasil Leitor atua?
Nós temos um conceito de biblioteca. Criamos, instalamos e gerimos acervos seguindo esse modelo. Hoje somos em 211 funcionários em todo o Brasil. Em metrôs, temos cinco em São Paulo, duas no Rio, uma no Recife e uma em Porto Alegre. Em julho devemos inaugurar uma em Belo Horizonte.
Em São Paulo, tínhamos como meta chegar a dez unidades em toda a malha metroviária. Como há expansão das linhas, devemos aumentar também.
Mantemos ainda bibliotecas em comunidades e empresas. E há o Projeto Leitura na Primeira Infância, que já está em 44 creches e deve atingir 300 até o ano que vem. O raciocínio é simples: para que o brasileiro vire leitor mais rapidamente, precisamos invadir as creches. Queremos estimular a leitura por prazer.

Como é a administração das bibliotecas de metrô?
Todas começam com cerca de 2,2 mil títulos. E aí vamos testando para ver quais são os mais procurados (confira lista abaixo). Bimestralmente há reposições, considerando pedidos de leitores e os livros muito felizes.

Livros muito felizes?
Sim, são os livros mais retirados. Eles se desgastam naturalmente. Então a gente repõe com um novo, para que o leitor leve para casa sempre um em perfeito estado – e se comprometa a devolvê-lo assim. A gente encaminha esses livros gastos – mas em boas condições de leitura -, como doação, a bibliotecas públicas.

Há muita gente que não devolve?
Não. Esse é um dos mitos que enfrentamos quando começamos com o projeto. Todos dizem que “brasileiro não gosta de ler” e que “ninguém vai devolver o livro”. A taxa de não-devolução nas bibliotecas de metrô é de 0,24%.

E a procura é grande?
Nas nove bibliotecas de metrô já foram registrados 443 mil empréstimos. São 42 mil leitores cadastrados. O importante é estarmos em lugares onde o pessoal passa regularmente e tropeça no livro.

Onde mais vocês pensam em instalar as bibliotecas?
Já estamos tratando há um mês com a SP Trans e vamos ter bibliotecas em dois terminais de ônibus de São Paulo.

OS LIVROS MAIS RETIRADOS
(Em São Paulo, por estação)

Largo Treze
1. O caçador de pipas
2. O livreiro de Cabul
3. A distância entre nós

Luz
1. Marley e eu
2. Fronteira da alma
3. A menina que roubava livros

Paraíso
1. Fortaleza digital
2. Marley & eu
3. A menina que roubava livros

Santa Cecília
1. A menina que roubava livros
2. O caçador de pipas
3. A pétala vermelha

Tatuapé
1. Anjos e demônios
2. O monge e o executivo
3. O caçador de pipas