Para a passagem da prefeita em exercício, PM e Guarda Civil “disfarçam” a Cracolândia

Estadão

22 Maio 2009 | 06h00


FOTOS: Jose Patrício/AE

Por Diego Zanchetta

Uma das cenas urbanas mais impressionantes do mundo com certeza são as centenas de jovens que se aglomeram para fumar crack na altura do número 200 da Alameda Helvetia, no local conhecido como Cracolândia, perto da estação da Luz. É impressionante demais ver de perto aqueles meninos se encolhendo nas sarjetas para acender os cachimbinhos, bem no centrão da maior metrópole do Hemisfério Sul. Apesar da imagem assustadora, os viciados temem os pedestres, ficam assustados com a passagem de qualquer pessoa por perto. Enrolados em cobertas, os garotos parecem fantasmas vagando no meio de um lugar devastado, ocupado pelo lixo e pela degradação.

Pois na última terça-feira, a cena da Alameda Helvetia sumiu por algumas horas. A prefeita em exercício Alda Marco Antonio inaugurou no número 274 um hotel para idosos, em uma bonita construção da década de 50 agora reformada. Nas ruas, carros da PM e da Guarda Civil Metropolitana garantiam a paz (momentânea, diga-se) para a realização do evento oficial. Perguntei a um PM se a “blitz” era momentânea, e ele me garantiu que o local estava ocupado desde o dia 28 de março. “Os viciados agora foram para perto do Shopping Luz”, informou o PM.

Como moro ao lado, na altura do 1.600 da Avenida Rio Branco, ontem à tarde já havia constatado o sumiço da “faxina”. As centenas de garotos com suas cobertas voltaram a zumbizar pela Alameda Helvetia.