Enquanto alunos, USP e órgão do patrimônio não se entendem, FAU agoniza

Estadão

02 Novembro 2009 | 05h00

FOTO: André Lessa/AE

Por Rodrigo Brancatelli

Como os próprios alunos dizem, há um novo conceito de cascata de paisagismo explorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. É só chover um bocadinho – e vamos lembrar aqui que o período de tormentas só está começando – e verdadeiras cachoeiras aparecem no prédio da faculdade, idealizado pelo arquiteto Vilanova Artigas e obra-prima do brutalismo. Os professores correm para proteger os livros da biblioteca, a melhor do País, enquanto os alunos, que estão ali no melhor curso de arquitetura da América Latina, têm que levar guarda-chuvas para proteger os laptops. Essas infiltrações são apenas uma ponta de degradação e do abandono do edifício que deixou de ser motivo de orgulho para os paulistanos.

Colega nosso aqui da editoria, o jornalista Bruno Paes Manso já descreveu muitíssimo bem a condição do edifício. “Do lado de fora do prédio, enxerga-se um enorme bloco de concreto bruto delicadamente suspenso por vigas em forma de trapézio. Internamente, o teto translúcido feito com 900 domos de fibra de vidro inunda o ambiente com luz natural, num contraste que alguns dizem representar a união entre o céu e a terra, reforçando a aura sagrada que envolve o edifício da FAU-USP). Quarenta anos depois de pronta, a principal referência do estilo moderno brutalista da arquitetura de São Paulo, visitada por artistas do mundo inteiro, hoje causa vergonha aos professores e estudantes. O prédio onde eles ensinam e aprendem a importância de preservação e da manutenção de edifícios está em ruínas.”

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Em plena época da 8ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, um passeio pela FAU mostra o que o descaso pode fazer com um símbolo paulistano. Apesar de ainda ser impressionante percorrer aquele imenso paralelepípedo em concreto, chama mais atenção ainda as estalactites que se forma do teto, as poças d’água no chão, as salas de projetos interditadas e a negligência com a obra de Artigas. O mais assombroso é que há sim dinheiro para acabar com o problema. As obras de reforma, no entanto, estão interrompidas por causa das reclamações de um grupo de estudantes – que foram questionar no órgão de patrimônio a legitimidade da revitalização e a falta de um debate sobre as técnicas da reforma.

Enquanto isso, a FAU pede socorro.

Confira aqui um especial sobre a arquitetura paulistana feito pelo Estado