Cinco meses após corte de R$ 5 bilhões, crise desaparece da administração paulistana

Estadão

29 Maio 2009 | 12h34


FOTO: Ernesto Rodrigues/AE

Por Diego Zanchetta

A crise financeira parece ter desaparecido de vez da Prefeitura e da Câmara de São Paulo, cinco meses após o alardeado corte de mais de R$ 5 bilhões do Orçamento. Depois de o prefeito Gilberto Kassab (DEM) liberar, no início da semana, mais R$ 200 milhões do superávit acumulado no ano passado – incluindo R$ 30 milhões para publicidade e R$ 25 milhões para a renovação da frota dos ônibus -, a Câmara Municipal criou ontem uma reserva técnica para “serviços de informática e de comunicação” de R$ 6,8 milhões, conforme reportagem publicada hoje no Estado.

Segundo o vereador Francisco Chagas (PT), primeiro secretário de Casa, a “reserva técnica” vai subsidiar “um novo sistema responsável por compilar e tornar acessível os dados das secretarias de governo no site da Câmara”. O estranho, no caso, é que ninguém nunca havia falado sobre o projeto e parte dos dados do Executivo, como a execução orçamentária em tempo real, são vedados ao público. No mês passado, a Mesa Diretora da Casa já tinha criado “reserva técnica” de R$ 3,5 milhões para a TV Câmara, cujo gasto anual é superior a R$ 17 milhões. Ao todo, são R$ 10,3 milhões de verba adicional para o canal de TV e para a comunicação.

Já em plenário, o Legislativo paulistano termina a semana sem ter votado dois projetos considerados fundamentais para a cidade, segundo entidades e ambientalistas: a concessão de 30 anos para a Sabesp, com contrapartidas para o município, e a implementação das diretrizes da Política Climática, com previsão de reduzir as emissões de poluentes na capital em 30% até 2012.