Bairros condenados ocupam 20 km da Serra do Mar

Estadão

15 Junho 2009 | 20h12

FOTO: Antonio Milena/ AE

Por Diego Zanchetta

Da mata verde e densa da Serra do Mar, brotam as nascentes que abastecem quase 2 milhões de pessoas na Baixada Santista. Com o aumento das invasões ao longo da Via Anchieta, a partir dos anos 50, os cursos d’água que descem a serra começaram a ser castigados pelo esgoto de moradias precárias construídas nas encostas, quase dentro do parque estadual. Além da contaminação da água, as invasões colocam em risco a vida dos próprios moradores e a preservação do maior núcleo estadual de Mata Atlântica, com 33 espécies de aves em extinção.

A principal iniciativa para resolver o problema sócio-ambiental de três décadas teve início em junho de 2007, com o “Programa Serra do Mar”, orçado em mais de R$ 700 milhões e com o apoio do Banco Mundial. Dois anos após o governo estadual lançar o ambicioso programa para remover 5.350 famílias dali, nenhum imóvel foi desocupado, como o Estado mostrou domingo passado. Ao longo de 20 quilômetros da Via Anchieta, são cerca de 15 mil pessoas que ainda moram em habitações muitas vezes precárias nos bairros Cota 95, Cota 100, Cota 200, Cota 400 (foto acima), Pilões, Água Fria, Grotão e Pinhal do Miranda, nas encostas e no pé da serra do mar.

O atraso do programa, segundo o governo, ocorreu após a Justiça suspender por sete meses, entre dezembro e junho, as licitações para a construção de 1.800 moradias no Jardim Casqueiro, em Cubatão. As primeiras remoções agora devem ocorrer só no início de 2010.