As mil faces de um cirurgião

Estadão

27 Junho 2009 | 05h00

FOTO: Jonne Roriz/AE

Por Edison Veiga

O médico que mais aplica botox na cidade é o cirurgião plástico Vitorio Maddarena Junior, de 44 anos. Nascido em Botucatu, no interior paulista, ele vive na capital paulista desde o final dos anos 80. De perfil naturalmente multitarefa, Vitorio é um dos fundadores da Associação Nacional dos Criadores de Sacis e membro da Mensa – sociedade que reúne pessoal com elevado QI (confira na edição de hoje do Estado). Ele também é fotógrafo, “agricultor urbano” e chef de cozinha.

“OLHAR COM OUTRO OLHAR”
Há uns cinco anos, Vitorio resolveu fazer um curso de fotografia. “O que eu mais queria era aprender essa história de fotometria e linguagem fotográfica”, explica. Fã de Henri Cartier-Bresson e Sebastião Salgado, passou a aproveitar o caminho que faz, a pé, de casa até o consultório – ele mora a poucas quadras da clínica, no Alto da Boa Vista, zona sul – para retratar o que visse. “Há muitos pássaros por aqui, outro dia apareceram até uns macaquinhos”, relata. “Após o curso, aprendi a olhar foto com outro olhar.”

ROMÃS, PITANGAS E GOIABAS
Os pássaros, aliás, são atraídos justamente pelo minipomar que Vitorio cultiva, pacientemente, no quintal de sua clínica. Tem romãzeira, jabuticabeira, goiabeira, amoreira e pitangueira. “Eu que cuido. A jabuticabeira que plantei já está produzindo”, afirma. “De presente, eu olho pela janela e vejo passarinhos”. As aves se refestelam com o “banquete”. Aparecem maritacas, beija-flores, sabiás… e outros que o médico sequer sabe o nome. “Dá para lembrar um pouco do interior.”

O trato com as plantas – “coloco adubo, aparo…” – é um hobby levado a sério. “Não tenho sítio, nem nada, mas assinei o ‘Estadão’ por causa do Suplemento Agrícola”, comenta, em referência ao caderno publicado às quartas por este jornal. “E também por causa do Paladar”, acrescenta, lembrando do suplemento que sai às quintas. Mas isto é história para o próximo capítulo.

BOA MESA
Em São Paulo, Vitorio adquiriu o hábito de conhecer novos restaurantes. “Já fui a mais de 250 diferentes”, estima. Com a mulher, Vera, costuma selecionar qual será o próximo a ser visitado. “Não temos preconceito absolutamente nenhum. Pode ser simples ou sofisticado. Pode ser longe, não tem problema”, garante.

A saborosa obsessão rendeu um diploma novo: o de chef de cozinha, conferido pelo Senac dois anos atrás. “Dei uma modificada em meus horários na clínica e resolvi encarar o curso, com duração de um ano”, recorda-se. “Outro dia mesmo fiz um bacalhau para receber amigos em casa.” A mulher, segundo ele, também é boa com as panelas, mesmo sem nunca ter participado de curso algum. “Ela faz um risoto que é uma delícia. Hoje eu também consigo fazer um bom”, gaba-se. “Posso até abrir um restaurante, né? Afinal, sou chef.”