82 dias de medo em Paraisópolis – A tortura, o hip hop e a resposta da Polícia Militar

Estadão

31 Maio 2009 | 04h00

Por Bruno Paes Manso

Integrantes do grupo de hip-hop Reprodução Humana, DJ e MC, de 23 e 30 anos, responsáveis pela música nas festas de Paraisópolis, foram abordados pela polícia e levados para uma volta de camburão pela comunidade algemados, ouvindo ameaças de morte. A viatura parou na casa de um dos rappers e soldados entraram na casa dele. O DJ foi obrigado a sentar em cima da mão. Pediram a ele que dissesse onde era a boca. Ele respondeu que trabalhava com festas. Um dos policiais o enforcou com um fio. Desencapou outros dois fios e tentou dar choques no músico colocando a fiação no anel que ele usava, mas a técnica não funcionou. Eles já fizeram dois raps para chamar a atenção da cidade para os abusos em Paraisópolis.

Clique aqui e ouça um trecho de música composta pelo grupo Reprodução Humana, que conta os problemas de moradia da favela. Abaixo, a letra de outro rap deles, do mesmo grupo Reprodução Humana.

Grupo: Reprodução Humana
Música: Campo Minado

Prepare sua audição verdades vão ter que escutar
Paraisópolis tem união
e uma das suas voz agora vai falar
O povo cansou e não aguentou
ver tantas Humilhação
e se juntou e foi pra rua fazer revolução
em busca de soluções queremos proteção
Mas estamos cercados e encurralados
no meio de prédios e mansões
Querem nos tira daqui
usam a polícia em uma má intenção
na TV a noticia mostrando uma falsa informação
Dizem que somos nós os culpados
por tudo isso acontecer fazer o que?
se somos obrigados a ficar calados
sofrem até quem não tem nada a ver
Nas ruas onde moro não posso andar por que
sou enquadrado revistado ainda em casa ele querem me levar
pra tudo revirar
me agredir fisicamente
verbalmente ameaçam até me matar
Até inocentes que não deve vão pagar
Gostam de forjar todos aqui são suspeito
querem me levar sem razão de qualquer jeito……..

Veja a íntegra da resposta da Polícia Militar

A Operação Paraisópolis foi motivada por ações criminosas, praticadas por delinquentes, e não pela população. Não foi uma manifestação pública, mas sim ato criminoso, sendo certo que a Polícia Militar conseguiu restabelecer a ordem sem efetuar sequer um disparo.
A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Durante a ocupação da Polícia Militar, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia, por intermédio de alegações falsas de abuso de autoridade. Uma estratégia comum de criminosos é tentar desestabilizar as forças legalistas, mas isso não surtiu efeito. Apesar de algumas reclamações em forma de marketing, para chamar a atenção da imprensa, apenas duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente. Ambas foram rigorosamente apuradas, visto que a Polícia Militar possui um forte processo de depuração interna, contudo, nos dois casos restou provado que não houve abuso ou agressão, conforme depoimento de testemunhas. É importante destacar que foram registradas ocorrências por denunciação caluniosa contra os envolvidos.
Como ficou claro desde o início, a Operação não tinha data para término, sendo encerrada no momento em que a Polícia Militar chegou à conclusão de ter cumprido a missão proposta, restabelecendo a ordem pública. Assim, a Operação não encerrou mais cedo, nem mais tarde – mas no momento em que isso foi tecnicamente adequado.

Cap PM Emerson Massera
Seção de Comunicação Social da Polícia Militar