Vereador propõe que data de votação do impeachment de Dilma vire ‘Dia da Vergonha’
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Vereador propõe que data de votação do impeachment de Dilma vire ‘Dia da Vergonha’

Comunista Jamil Murad quer incluir o dia 17 de abril, quando os deputados federais aceitaram o processo de impedimento da petista, no calendário oficial da capital como 'golpe'

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

30 Maio 2016 | 18h05

Aliado histórico do PT, o vereador paulistano Jamil Murad (PCdoB) apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo propondo que o dia 17 de abril entre para o calendário oficial da cidade como o “Dia da Vergonha” por causa da aprovação da abertura do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

Após seis horas de sessão, 367 deputados federais votaram pela admissibilidade do pedido de impeachment da petista no dia 17 de abril. Outros 137 votaram contra o processo que culminou no afastamento de Dilma pelo Senado, no dia 12 de maio. A sessão de votação foi marcada por uma série de dedicatórias feitas pelos parlamentares a parentes, igrejas e até à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturar militantes contrários à Ditadura Militar (1964-1985). Ele morreu em outubro de 2015.

Vereador comunista Jamil Murad. Foto: JF Diório/Estadão

O vereador paulistano Jamil Murad (PCdoB). Foto: JF Diório/Estadão

“No dia 17 de abril de 2016 a população paulista e brasileira assistiu estarrecida a votação, no Congresso Nacional, que autorizou a abertura de um processo de impedimento da presidenta do Brasil, eleita por 54 milhões de votos. A votação foi um verdadeiro espetáculo no qual os deputados declaravam seu voto em nome de esposas, maridos, filhos, netos, Deus e até mesmo em nome de condenado e reconhecido torturador à época da ditadura militar”, justificou o comunista.


Assim como Dilma, petistas e militantes de partidos de esquerda, Murad também classifica o impeachment como “golpe”, no caso, “institucional parlamentar”, segundo ele. O vereador alega que Dilma “foi afastada por os foi afastada por representar projeto político de inclusão social, de avanço democrático e elevação da soberania” e que a votação foi conduzida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB), afastado da presidência da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ser réu em processo no qual é acusado de receber propina no esquema de corrupção da Petrobrás.

“Este episódio trouxe aos brasileiros, em especial aos paulistanos, cuja cidade foi palco de intensas manifestações de ruas em defesa das mais diversas posições políticas, enorme vergonha pelo golpe institucional parlamentar perpetrado contra a presidenta Dilma Rousseff, legítima mandatária eleita
pelo voto popular. Tal data deve ficar registrada no Calendário Oficial da Cidade de São Paulo como o Dia da Vergonha – Golpe Institucional Parlamentar – para que as gerações futuras conheçam sua história e possam defender as regras democráticas, de maneira a não mais permitir que tais fatos se repitam”, afirma o vereador comunista.

Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela maioria dos vereadores no plenário da Câmara Municipal e ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT). No calendário oficial da cidade, 17 de abril já é considerado o “Dia da República Árabe Síria” e o “Dia do Judô”.