As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Em plena seca, ‘socorro’ da Billings ao Alto Tietê cai mais da metade

Transferência de água para sistema atingido por estiagem está 57,5% abaixo da capacidade total; Sabesp alega manutenção

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

01 Maio 2016 | 23h04

O bombeamento de água da Represa Billings para o Sistema Alto Tietê caiu mais da metade em abril, o mais seco da história do manancial. Dados divulgados pela Sabesp mostram que a transposição feita do Sistema Rio Grande (braço da Billings) para o Rio Taiaçupeba-Mirim (Alto Tietê), em Ribeirão Pires, no ABC paulista, foi de 1,7 mil litros por segundo nos últimos dias, apenas 42,5% da capacidade total de operação, que é de 4 mil l/s.

Segundo a Sabesp, a transferência de água entre os sistemas está abaixo da capacidade total “devido a manutenção”. A companhia não informou, porém, o motivo dos reparos nem quando o bombeamento deve voltar a operar a plena carga. Considerada a principal ação para evitar o rodízio no abastecimento de água da Grande São Paulo, a obra custou cerca de R$ 130 milhões e foi inaugurada em 30 de setembro de 2015, com quatro meses de atraso, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O objetivo da transposição é levar água da Billings, que esteve cheia mesmo nos dois anos de crise hídrica, para o Alto Tietê, segundo manancial mais afetado pela estiagem, depois do Cantareira. Logo após a inauguração, contudo, a transferência teve de ser paralisada. A força da água bombeada acabou desbarrancando as encostas do Rio Taiaçupeba-Mirim, que teve de passar por obra de desassoreamento.

Depois, em outubro, a obra chegou a ser embargada por um dia pela Prefeitura de Ribeirão Pires porque a transferência de 2 mil l/s acabou inundando ruas e imóveis da região. Após acordo, novas obras tiverem de ser feitas para reforçar o canal e o bombeamento foi retomada gradativamente, alcançando plena carga, de 4 mil l/s, apenas no dia 11 de dezembro, segundo a Sabesp, já no período chuvoso.

Desde o dia 28 de abril, quando a Sabesp passou a divulgar diariamente o volume transferido da Billings para o Alto Tietê em seus boletins, a transposição de água está fixa em 1,7 mil l/s. Na prática, isso significa que, por dia, a estatal deixa de bombear quase 200 milhões de litros para socorrer o Alto Tietê. Em um mês, seriam 6 bilhões de litros.

A redução na transferência de água ocorre em pleno início do período seco, que vai de abril a setembro. Neste ano, a estiagem começou severa em todos os mananciais que abastecem a Grande São Paulo. O Alto Tietê, por exemplo, teve o pior volume de chuvas da história para o mês de abril, apenas 8,2 milímetros. O recorde anterior era de 19,8 mm.

Esse cenário fez com que o nível do manancial, que abastece cerca de 4,2 milhões de pessoas na porção leste da Grande São Paulo e da capital, começasse a cair. Neste domingo, 1, o índice era de 40%, considerado preocupante por especialistas em recursos hídricos para esta época do ano. Apenas o Cantareira tem volume armazenado inferior (36,3%), mas conta com reservas do volume morto.

 

0 Comentários