Economia de água da Sabesp com redução da pressão cai 70% após fim do racionamento
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Economia de água da Sabesp com redução da pressão cai 70% após fim do racionamento

Manobras feitas na rede de abastecimento durante a crise hídrica deixaram moradores até 20 horas sem água

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

25 Maio 2016 | 08h18

A economia de água obtida pela Sabesp com a redução da pressão na rede de abastecimento da Grande São Paulo caiu 70% após o fim do racionamento, no início deste ano. Na comparação com o período pico dos cortes, a queda representa 23,4 bilhões de litros que deixaram de ser poupados em um mês.

Em fevereiro de 2015, auge da crise hídrica, as manobras feitas pela estatal para reduzir as perdas de água com vazamentos resultaram numa economia de 13 mil litros por segundo, segundo balanço da empresa divulgado à época. O índice corresponde a 33,7 bilhões de litros em um mês.


Agora, depois do fim do racionamento, entre dezembro de 2015 e janeiro deste ano, essa economia caiu para 4 mil litros por segundo (10,3 bilhões de litros por mês), segundo o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, responsável pelo abastecimento de água na Grande São Paulo.

Funcionário da Sabesp fecha válvula na rua

Funcionário da Sabesp fecha válvula na rua. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A redução da pressão existe desde 1997, segundo a Sabesp, mas ficava restrita ao período noturno, de baixo consumo, para reduzir as perdas de água por vazamentos nas tubulações. Ao longo de 2014, contudo, essas manobras foram sendo antecipadas, sem aviso prévio à população.

Em outubro, após a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a prática foi intensificada, conforme admitiu a Sabesp, e atingiu seu rigor entre janeiro e março de 2015, após a posse de Jerson Kelman no comando da Sabesp. Bairros chegavam a ficar até 20 horas sem água. Agora, a prática voltou a ficar concentrada à noite e de madrugada.

Essas manobras chegaram a representar mais de 60% de toda economia de água obtida na região metropolitana durante a crise hídrica. O bônus para quem reduziu o consumo poupou 6,3 mil litros por segundo (30%) e os cortes para as cidades que compram água da Sabesp no atacado somaram mais 1,8 mil litros por segundo ( 8,5%).

O índice de perdas de água da Sabesp durante a crise hídrica chegou a cair de 31,2% em 2013 para 28,5% em 2015, segundo balanço da Sabesp. Em dezembro de 2015, após dois meses de bastante chuva sobre os mananciais que abastecem a região, o impacto da redução da pressão já havia caído para 8,6 mil l/s, 51,4% do economizado, e do bônus para 5,6 mil l/s (33,5%).

Com isso, segundo a própria Sabesp, o índice de perdas voltou a subir, chegando a 29,9% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com a companhia. “Quanto às perdas de água, observa-se um aumento neste trimestre, algo já esperado uma vez que a redução observada até então foi resultado não só das ações de controle de perdas, mas também da crise hídrica e da consequente necessidade de diminuição das pressões na rede, como forma de gestão da demanda”, justificou a Sabesp em seu balanço financeiro.

 

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