Câmara aprova ‘Dia de Combate à Cristofobia’; autor alega perseguição
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Câmara aprova ‘Dia de Combate à Cristofobia’; autor alega perseguição

Vereador Eduardo Tuma (PSDB) diz que evangélicos são minoria que sofre ataques por emitir opiniões sobre relações homoafetivas

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

08 Junho 2016 | 12h05

Por unanimidade, em votação simbólica ocorrida na noite desta terça-feira, 7, os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo aprovaram projeto de lei de autoria do vereador Eduardo Tuma (PSDB) que inclui o “Dia de Combate à Cristofobia” na relação de datas comemorativas da cidade.

A proposta, que será levada à sanção do prefeito Fernando Haddad (PT), marca a data para 25 de dezembro, dia em que supostamente teria nascido Jesus Cristo, mártir das religiões cristãs.

Tuma defendeu a proposta lembrando ser membro da Comissão de Direitos Humanos do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp) e que, assim, é seu papel defender “minorias” de perseguições.

“Hoje, o cristão, principalmente o evangélico, tem suas ações tolhidas por algumas opiniões. Você tem uma minoria sendo tolhida de seus direitos, como liberdade de expressão e, até mesmo, às vezes, liberdade de culto. O cristão, hoje, não pode falar qualquer coisa relacionada à homoafetividade que ele é caracterizado como um homofóbico. Ou seja: falou que é contrário à prática da homossexualidade, ele é homofóbico. Você tem essa questão sendo muito aprisionada”, disse o vereador, para exemplificar os ataques que, segundo ele, a minoria evangélica seria vítima.

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De terno preto, segurando o microfone, o vereador Eduardo Tuma. Foto: JF Diório/Estadão

Tuma deu outros exemplos da perseguição que vê: “Na parada LGBT que acontece na Paulista, ano passado, um indivíduo… uma pessoa simulou, de forma obviamente muito jocosa, muito desrespeitosa, a crucificação de Cristo. Este ano, de igual forma, trouxe uma bíblia de forma desrespeitosa e agressiva”, disse, referindo-se à performances executadas pela modelo e atriz Viviany Beleboni, que é transsexual.

Beleboni afirmou ter sido esfaqueada e espancada após a primeira apresentação. Segundo informou na época, seus agressores a chamaram de “viado”.

O vereador defendeu ainda que evangélicos não sejam impedidos de discutir política durante os eventos religiosos. Citou que orientações políticas feitas por outras religiões não sofrem críticas de nenhuma natureza.

“Inventaram, porque não tem amparo legal, (o termo) ‘abuso do poder religioso’. Ou seja, o sujeito pode ter ir no templo de qualquer religião e pode declarar ali sua orientação política. Agora, se o sujeito for numa igreja, vê tolido seu direito de expressão só porque é igreja. A igreja, hoje, é perseguida. ‘Abuso do poder religioso’, isso não tem previsão legal”, argumenta o vereador.

O Estado procurou o líder do governo na Câmara, vereador Arselino Tatto (PT), para saber sobre os motivos que levaram a gestão Haddad, que propagandeia ações de afirmação à comunidade LDGT, a garantir a aprovação da medida. Tatto não atendeu o telefone. Se atender, o posicionamento do governo será incluído neste post.