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Bilhete único poderá ser usado para pagar aplicativos como Uber

Prefeitura estuda integração que dê desconto na passagem do coletivo para os passageiros de transporte individual

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

10 Junho 2016 | 16h28

A Prefeitura de São Paulo trabalha no desenvolvimento de um sistema de cobranças para aplicativos de transporte privado, como Uber e Cabify, que aceite o bilhete único como forma de pagamento e, de quebra, ajude a financiar o sistema de transporte coletivo da cidade.

A ideia é que o cliente possa pagar a corrida com seus créditos de bilhete único, já cadastrado, da mesma forma que faz hoje com o cartão de crédito. E, se continuar a viagem de ônibus, ganhe desconto no preço da passagem.

Para as empresas do ramo, não haveria nenhuma mudança: elas receberiam o valor integral da corrida, reembolsariam o motorista e também pagariam a outorga exigida pela Prefeitura (hoje, R$ 0,10 por km rodado). Mas, para o passageiro, ele gastaria menos dinheiro para ir de uma região a outra da cidade do que gasta indo de carro, mas sem que o tempo de viagem sofresse muita alteração.

Por exemplo: o cidadão que mora na zona sul e trabalha no centro, poderá pedir uma viagem de aplicativo até um terminal de ônibus mais próximo. Ali, onde os ônibus andam nos corredores e saem em intervalos menores, ele seguiria a viagem para o centro de ônibus, no corredor. Se pagasse a viagem do aplicativo com créditos do bilhete único, a passagem de ônibus, para ele, teria desconto.

uber gabi biló

Motorista da Uber. Foto: Gabriela Biló/ESTADÃO

A proposta é focada naquele cidadão que vai para o centro de carro: a soma aplicativo + ônibus ficaria mais barata do que a soma combustível + estacionamento. E o tempo de viagem seria similar.

Subsídios. Já para a Prefeitura, e os cofres públicos, a vantagem está em estimular o uso dos transporte público, mas sem a necessidade de aumentar os subsídios à rede de ônibus, que hoje já é a dotação mais cara de todo o Orçamento municipal (vai ultrapassar R$ 1,3 bilhão neste ano).

Para entender: hoje, a passagem de ônibus custa R$ 3,80. É quanto o cidadão gasta para andar de ônibus. Esse valor dá direito a até três viagens, sendo que a segunda e a terceira são gratuitas, integradas.

Mas não é todo essa verba que é passado para as empresas de ônibus. Elas recebem por passageiro transportado, em valores que variam de R$ 1,50 a R$ 3, dependendo da região.

O passageiro que toma um único ônibus por viagem é um daqueles que contribui para o sistema. Ele dá R$ 3,80 para a Prefeitura, que repassa, por exemplo, R$ 2 para o dono do ônibus. Os R$ 1,80 restante vão para a chamada Conta Sistema.

Já o passageiro que toma dois ônibus com o bilhete único é o beneficiário do sistema. Ele também dá R$ 3,80 para Prefeitura, que repassa, por exemplo, R$ 2 para o dono de um ônibus e outros R$ 2 para o dono da segunda condução. Para inteirar a conta, a Prefeitura saca R$ 0,20 da Conta Sistema.

Ocorre que o número de beneficiários do sistema é maior do que o de contribuintes. Assim, a Prefeitura tem que completar o saldo da Conta Sistema com recursos do Tesouro. Esse depósito é o subsídio.

Com o cliente de aplicativos usando também ônibus, com desconto, ele poderia pagar, por exemplo, R$ 3 pela condução (os valores ainda estão em estudo). A Prefeitura continuaria pagando R$ 2 para a empresa de ônibus, e ficaria com o resto. Para o usuário, é uma viagem mais barata. Para o passageiro, é mais gente contribuindo para o saldo da Conta Sistema — o que poderia reduzir o volume do subsídios.

Ainda não há data para que os estudos sobre essa integração sejam concluídos. Ao todo, os aplicativos de transporte estão autorizados a rodar 27 milhões de km por mês, o que equivale a 5 mil táxis. A Prefeitura que incentivar o uso dos aplicativos em bairros mais distantes do centro.