Ao lado de Doria, Lobão critica aliança com partidos por tempo de TV
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Ao lado de Doria, Lobão critica aliança com partidos por tempo de TV

Eleito com apoio de 13 siglas e 30% do horário eleitoral, prefeito convidou cantor para estreia de talk show ao vivo pelo Facebook

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

23 Fevereiro 2017 | 22h20

Lobão em ato contra Dilma. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Lobão em ato contra Dilma. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Convidado pelo prefeito paulistano João Doria (PSDB) para a estreia de seu talk show semanal transmitido ao vivo pelo perfil no Facebook, o cantor Lobão cometeu uma gafe ao criticar, ao lado do tucano, alianças partidárias feitas nas eleições para obter maior tempo de TV durante a propaganda eleitoral.

O tucano foi eleito no primeiro turno nas eleições municipais de 2016 com uma coligação composta por 13 partidos que lhe renderam 30% dos 10 minutos de exposição divididos entre 11 candidatos. Obtida com apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a coligação foi a maior já registrada nos pleitos a prefeito da capital e o tempo de TV e inserções o maior na disputa do ano passado.

“Tem uma coisa que eu acho um absurdo nesse negócio de horário eleitoral. Você faz alianças e tem 30 minutos para um cara e 20 segundos para outro. Isso é uma coisa que, para o eleitor, ele quer saber, em tempo dividido equanimamente, o que cada candidato tem a dar e não um candidato que fica 40 minutos falando uma coisa e o outro candidato falando meu nome é fulano e tchau”, disse Lobão.

Doria sorriu e disso que “isso tem de ser reavaliado” em uma reforma política. “Sou favorável também ao debate, acho o debate construtivo, abrir mais tempo para o debate, sempre de maneira equânime e equilibrada. E dar acesso a todos. É muito ruim impedir acesso de candidatos ao debate”, completou o prefeito, com quem Lobão já havia trocado elogios no início da transmissão.

Presidência. O tema surgiu depois que Lobão perguntou a Doria sobre a possibilidade dele ser candidato a presidente da República em 2018. “Eu fui eleito para prefeitar, fui eleito para ser prefeito da cidade de São Paulo. É o que eu tenho de fazer, a minha missão é aqui”, respondeu o tucano, que também descartou disputar a reeleição em 2020.

Na sequência, Doria sugeriu qual seria o motivo do seu nome começar a ser cotado para a corrida presidencial no ano que vem. Além dele, o PSDB tem como possíveis candidatos o governador Geraldo Alckmin, padrinho político do prefeito e o senador Aécio Neves, além de José Serra, que deixou recentemente o cargo de ministro das Relações Exteriores por problemas de saúde.

“Cinquenta e três dias de Prefeitura tem dado, evidentemente, essa visibilidade, exatamente porque nós estamos fazendo coisas diferenciadas, corajosas, e isso se espalhou pelo Brasil afora. Fico muito feliz de ser lembrado, inclusive nas pesquisas que estão sendo realizadas e que colocam o nosso nome nesta condição. Mas eu não sou candidato à Presidência da República e nem sou candidato a governador do Estado de São Paulo. Sou candidato a ser um bom prefeito na cidade de São Paulo”, completou.

Abandono. Entusiasta do estilo de Doria na gestão municipal, Lobão disse que “o brasileiro está carente de candidato” e que há “uma certa deturpação da ordem pública”, mas acabou criticando políticos que largam o mandato no meio para disputar outro cargo. “Você está há dois anos na Prefeitura e desestrutura todo um esquema para se candidatar a um outro cargo, isso não tem o menor cabimento”, afirmou o cantor.

A transmissão foi assistida por mais de 10 mil pessoas em tempo real e, menos de uma hora depois, já registrava mais de 300 mil visualizações. Doria respondeu a perguntas feitas em seu perfil no Facebook por alguns dos quase 2 milhões de seguidores sobre privatizações, programa leve-leite, transporte escolar, asfalto, fiação elétrica e jardim vertical.

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