Quilombo isolado busca reconhecimento em Iporanga
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Quilombo isolado busca reconhecimento em Iporanga

José Tomazela

04 Abril 2014 | 20h10

Os 85 moradores da comunidade de Bombas, no município de Iporanga, no Vale do Ribeira, não têm água encanada, esgoto, energia elétrica, nem telefone fixo ou sinal de celular. Para completar o isolamento, também não têm acesso. Para chegar ao local, é preciso deslocar-se a pé ou no lombo de animais num percurso de pelo menos três horas por uma trilha sinuosa, em meio à mata. Tudo isso a 360 quilômetros de São Paulo.

Agora, a comunidade nutre a esperança de ser reconhecida como quilombo. Ação nesse sentido foi ajuizada na última terça-feira (1) no Fórum de Registro pela Defensoria Pública de São Paulo. Como a área ocupada pelas famílias está no interior de um parque estadual, a ação pede ainda que seja autorizada a construção de um acesso e a elaboração de um plano de ação compartilhada entre quilombolas e gestores da unidade de conservação.

De acordo com o procurador Andrew Toshio Hayama, será uma forma de possibilitar que eles realizem atividades tradicionais, como o extrativismo de baixo impacto ambiental e a roça de subsistência. Estudo técnico apresentado ao Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) aponta vínculo histórico entre o grupo e o território em que vivem, além de outros requisitos para reconhecimento do território quilombola, como a ancestralidade, identidade e etnia.

Se a Justiça reconhecer a comunidade como quilombola, as terras serão tituladas em nome da Associação dos Remanescentes de Quilombo de Bombas.

 

 

Casebre de pau-a-pique no quilombo de Bombas