Paraíso das águas preserva anta albina em Juquiá
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Paraíso das águas preserva anta albina em Juquiá

José Tomazela

13 Abril 2015 | 17h53

Armadilhas fotográficas instaladas no ‘Legado das Águas’, reserva de 31 mil hectares de Mata Atlântica mantida pela Votorantim em Juquiá, no Vale do Ribeira,  flagraram um raríssimo exemplar de anta albina. De acordo com a empresa, é o primeiro registro fotográfico no mundo, em ambiente natural, de uma anta com a pelagem toda branca, contrastando com a cor marrom escura desse mamífero. Já houve registro anterior, mas de uma anta albina criada em cativeiro.

 O achado dá conta do nível de preservação da região que, a partir de 2018, estará fornecendo água para a capital e a Região Metropolitana de São Paulo. A reserva é cortada pelo Rio Juquiá, formador da represa de onde a Sabesp vai captar 4,7 mil litros de água por segundo para reduzir a dependência do Sistema Cantareira. A nova fonte de abastecimento da capital está cercada por mais de 100 mil hectares de mata, um ambiente muito pouco alterado nos últimos 500 anos.

Somada aos vizinhos parques estaduais da Serra do Mar, do Jurupará e Carlos Botelho, a reserva forma um dos maiores corredores contínuos de Mata Atlântica do país. A mata vem sendo preservada desde 1950, quando o empresário Antônio Ermírio de Moraes construiu oito reservatórios para usar o potencial hidrelétrico das bacias dos rios Juquiá e Assungui e gerar energia para sua indústria de alumínio. Para proteger a água, o empresário decidiu preservar a floresta.

Em 2012, a Votorantim e o governo paulista assinaram um protocolo para a criação da Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável ‘Legado das Águas’, que combina a preservação com o uso sustentado dos recursos naturais. O foco inicial passou a ser a pesquisa da biodiversidade do local que já resultou na edição, em 2014, do primeiro guia para identificação das plantas da Mata Atlântica por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Unicamp e Instituto Florestal.

  A anta albina fotografada na reserva é um macho em idade adulta que já tem companheira e está formando família. O gerente de Sustentabilidade da Votorantim, David Canassa, considera quase que um milagre o animal ter sobrevivido até essa idade, já que a cor clara o torna mais visível à noite, quando predadores como a onça saem à caça. Exemplares de onça parda também foram flagrados pelas câmeras na área. Os pesquisadores seguem em busca da onça-pintada, pois já foram encontrados vestígios desse felino – as duas espécies são consideradas vulneráveis na lista oficial da fauna brasileira ameaçada. 

 

Anta branca na Reserva Votorantim

A anta albina ao lado da companheira. Divulgação