Onça-pintada viaja 3 mil km para se tratar em Jundiaí
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Onça-pintada viaja 3 mil km para se tratar em Jundiaí

José Tomazela

13 Julho 2015 | 10h28

 Mascote de um garimpo no Estado do Pará, uma onça- pintada foi apreendida por agentes ambientais e viajou mais de 3 mil quilômetros para receber tratamento em Jundiaí. Na ONG Associação Mata Ciliar, o espécime macho de felino, ameaçado de extinção na natureza, será mantido à distância do homem e observado por câmeras para, possivelmente, voltar a viver em liberdade na floresta.

A onça foi resgatada por agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no garimpo Porto Novo, no município de Novo Progresso, sudoeste paraense, após uma denúncia. Para que não comesse animais domésticos, o felino ficava parte do tempo preso por uma corrente. Imagens da onça amarrada, postadas na internet, foram monitoradas pelos agentes ambientais.

A onça-pintada, com cerca de um ano e meio de idade, pesando 55 quilos, viajou em veículo do Ibama até Cuiabá, em Mato Grosso, de onde seguiu de avião para Brasília. A viagem aérea até Viracopos, em Campinas, foi completada no compartimento de cargas de um avião da TAM. De novo em terra, o felino seguiu de caminhão para a ONG de Jundiaí.

A coordenadora de fauna da Associação, Cristina Harumi Adania, conta que a onça era tratada como mascote dos garimpeiros, que a chamavam de Felipe. Provavelmente, o felino foi apanhado ainda filhote, mas era mantido solto e saía para caçar. Ele passou a ser acorrentado depois de atacar porcos e galinhas criados pelos garimpeiros. Na viagem após o resgate, o felino destruiu o viveiro em que estava alojado e quase fugiu. Na chegada à ONG arrebentou uma tela.

O estresse da onça foi considerado um bom indicador de que o felino mantinha as características de animal selvagem. “A musculatura e o porte são bem desenvolvidos, diferente dos felinos apreendidos em cativeiro que chegam aqui”, disse Cristina. Sob os cuidados da associação estão outras nove onças-pintadas e sete onças-pardas. A onça Felipe vai permanecer em observação por trinta dias, período em que será submetida a testes, como apresar pequenos mamíferos, escalar obstáculos e explorar o ambiente.

Se os resultados indicarem que a onça tem condições de sobreviver na natureza, vamos providenciar a soltura. Caso, contrário, ficará em cativeiro e será usada em projetos de reprodução”, disse Cristina. Um dos cuidados será evitar qualquer contato com humanos. No garimpo, a onça convivia com pessoas que a alimentavam. A intenção é devolver ao animal o instinto de que a presença do homem indica perigo, para que a bela e rara onça-pintada não se torne presa fácil de caçadores.

A onça-pintada Felipe - Divulgação

A onça-pintada Felipe – Divulgação

 

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