Ações simples reduzem mortes por infarto em hospital de Rio Preto
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ações simples reduzem mortes por infarto em hospital de Rio Preto

José Tomazela

07 Março 2016 | 14h44

Uma redução de cinco para três minutos no tempo para atender pessoas com dor no peito resultou numa queda expressiva na taxa de readmissão de pacientes com suspeita de infarto no Hospital de Base (HB) de Rio Preto, interior de São Paulo. Dos 1.062 pacientes atendidos com esse sintoma, entre julho de 2012 e fevereiro de 2014, apenas dois retornaram ao hospital após o primeiro atendimento, segundo estudo divulgado pelo hospital. Principal causa de morte não violenta no Brasil, com cerca de 100 mil óbitos por ano, o infarto tem como primeiro sintoma a dor no peito.

De acordo com o coordenador do Centro de Dor Torácica do HB, médico Fernando Bruetto Rodrigues, readmissão é a volta do paciente ao hospital em 72 horas, o que indica falta de precisão no diagnóstico ou alta errada. A taxa do HB, de 0,2%, é inferior às dos Estados Unidos, de 5%, do Canadá, de 5,3%, e da Inglaterra, de 6%, por exemplo. “Este estudo foi feito com base em indicadores de eficiência, segurança e metas de atendimento preconizadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e instituições internacionais”, explicou, citando a Society of Cardiovascular Patient Care (SCPC), entidade empenhada em liderar a luta para eliminar as doenças cardíacas como a principal causa de morte no mundo.

Segundo Rodrigues, a redução no índice foi conseguida com medidas aparentemente simples, mas eficazes, como a eliminação da espera, redução no tempo de um eletrocardiograma, de dez para cinco minutos, e a adoção de testes capazes de detectar até microinfartos. O trabalho envolveu toda a equipe de emergência do hospital, um dos maiores do Estado e que atende 80% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Conversamos com todos, desde os seguranças e recepcionistas, até os médicos e profissionais de enfermagem. Mostramos os dados e a importância do atendimento imediato para salvar vidas.”

Foi o que aconteceu com a dona de casa Maria Angélica Borges Almeida, de 60 anos. “Tive um aperto no peito que irradiou para a mandíbula e o braço. Achei que era o coração.” Levada para um hospital de sua cidade, Monte Aprazível, foi transferida para o HB de Rio Preto. “Cheguei com sudorese forte, fui examinada na hora, fizeram um eletrocardiograma e o médico informou que tinha de fazer um cateterismo.” Maria se assustou e pediu para avisar a família, mas o médico disse que não havia tempo. Ele mesmo conduziu a maca até a sala do procedimento. “Deu tudo certo, estou tomando a medicação e não tive mais problema.”

Os membros da emergência do hospital já se tratam pelo apelido de “caçadores do infarto”. A gravidade da ameaça por trás da dor no peito justifica esse estado de prontidão, segundo o coordenador do centro. “Um a cada cinco pacientes que passam pelas emergências dos hospitais do Brasil podem receber alta tendo um infarto.” Outros dados nacionais, segundo ele, reforçam a importância do atendimento rápido. O infarto do miocárdio, geralmente causado pela obstrução de uma artéria do coração, será a causa da morte de um em cada seis homens e de uma em cada sete mulheres no Brasil.

Hospital de Base de São José do Rio Preto.

Hospital de Base de São José do Rio Preto.