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Uma idade espinhosa

Haisem Abaki

25 Maio 2014 | 10h11

Um amigo me cumprimenta pelos 50 anos dizendo que “é nessa idade que as dores começam”. Agradeço pela dica encorajadora e tudo vira risada. E não é que ele tinha razão? Ganhei um par de sapatos e o da direita machucou um pouco o meu calcanhar. Já deve ser um sinal do “inevitável” que está por acontecer…
Vem outro e me dá parabéns pela “idade do condor”. Finjo que não conheço a piada para deixá-lo explicar que nessa fase da vida o sujeito cinquentenário é premiado “com dor aqui, com dor ali…”. Mais um pegando no meu pé como o sapato, mas vale a brincadeira.
A sessão de homenagens prossegue com um velho companheiro me dando tapinhas nas costas e pronunciando “MEIO SÉCULO!”, assim mesmo, em letras maiúsculas e em tom de exclamação. Uma testemunha da cena complementa com um “daqui a pouco vai andar de ônibus de graça”, me fazendo vislumbrar um futuro promissor. Mais dois pegando no meu pé como o sapato, mas vale a brincadeira.
Aí, aparece um cheio de dúvidas questionando a quase ausência de cabelos brancos. Mostro as costeletas levemente grisalhas e confesso que se a barba não fosse raspada teria um queixo cor de neve. O “são tomé” não se convence e manda ver um “ah, então deve estar pintando pra disfarçar”. Mais um pegando no meu pé como o sapato, mas vale a brincadeira.
Em casa, uma mocinha diz que meu aniversário foi assunto com as colegas na escola. “Pai, as meninas não acreditam que você já está com 50 anos. Elas acham que você tem menos”. Fiz de conta que não ouvi (hein?), só pra ela repetir…
Foi aí que percebi que as “piadinhas etárias” quase sempre são masculinas. Das mulheres, só ouvi e li coisas do tipo “garoto”, “menininho”, “mocinho”, “cara de novinho”… Então, estou apenas aos 5 minutos do 2º tempo. Ainda tem muito jogo pela frente, né seu juiz?
Dois dias depois da “data redonda” encontrei um sinal claro de que a idade só está mesmo na cabeça de algumas pessoas. Uma espinha! Isso mesmo, meu caro amigo das letras garrafais, UMA ESPINHA! A “prova” ainda está aqui comigo, mas não posso mostrá-la… Aos desconfiados, só digo que fica numa área “com pouca incidência de luz”. E longe do pé…