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Um pé na resolução

Haisem Abaki

30 Dezembro 2017 | 17h46

Estava eu naquela pasmaceira pós-natalina, cansado da folga e doido pra voltar ao trabalho no plantão de fim de ano. Já tinha corrido vários dias na rua, ido ao cinema e até lido as previsões para geminianos em 2018. O saco já estava cheio feito o do Papai Noel. Só me faltava entrar na tradicional onda das resoluções para o próximo ano, mas esse é um tipo de coisa que tenho evitado ultimamente. Em vez de dizer o que pretendo fazer vou lá e faço. Pronto!

O celular tocou e a conversa me tirou do estado de bichopreguicite aguda pra me fazer rir muuuuito. Era um amigo de quase 20 anos (a idade é da amizade e não dele), que queria me contar uma história e já ria antes de fazer o relato. E foi além, ao dizer que aquilo poderia virar uma crônica.

Como sempre, prestei muita atenção e já me preparei porque sabia que a diversão era certa. É um amigo beeeem espirituoso com quem me identifico muito. Tivemos situações parecidas na profissão que é a mesma e também na vida pessoal. Eu sou um pouco mais velho e talvez por isso, em alguns momentos, ele parece estar pedindo algum conselho. Quase sempre  eu conto alguma experiência que vivi e, no fim das contas, a gente dá muita risada de tudo, até porque ele quase sempre sabe o que tem que fazer e na verdade não precisa dos meus conselhos.

E, mais uma vez, a história desse baita amigo se parecia com uma que tinha acontecido comigo. Ele tem alguém muito especial que se preocupa e cuida bem dele. Alguém que percebeu que ele não sabe cortar direito as unhas dos pés e resolveu, carinhosamente, fazer o serviço.

Só que na correria de fim de ano não sobrou tempo para dar um trato naqueles pezinhos. A campainha tocou e ele tomou a precaução de não deixar aquelas unhas pontiagudas à mostra. O visitante tinha um presente nas mãos e o formato de caixa não era um bom sinal. Um par de sandálias! Que legal! Obrigado! Mas experimenta pra ver se ficou bom…

As reticências se fazem necessárias porque meu amigo não me contou mais nada depois disso. Apenas riu muito e disse pra eu escrever uma crônica e que ele leria depois. Fiquei uns dias pensando nisso porque era algo novo pra mim. Nunca escrevi uma crônica encomendada. Mas o amigão das unhas compridas merece essa deferência. Então, daqui pra  baixo, o papo é com você, meu camarada. E desta vez eu vou lhe dar um conselho, sim.

Eu também não sei cortar as unhas dos pés. E eu também já tive alguém especial que fazia isso por mim com muito carinho. Mas chega uma hora em que a correria do dia a dia atrapalha a gente. E o “combinado” não rola por algum motivo. E se virar obrigação ou cobrança, aí é que a coisa fica encravada mesmo.

Cara, você já passou da idade de tomar uma iniciativa. Então, aproveite essa onda das tais resoluções de Ano Novo e mande bala. Eu fiz isso e não me arrependo. Siga o seu destino com os seus próprios pés! Eu recomendo sem medo de errar.

Procure uma boa podóloga, cara. Bom, na primeira vez levei minha filha junto porque simplesmente não tinha a menor noção do que deveria dizer ao chegar lá. Hoje já consigo fazer isso sozinho, olha que belezinha. Talvez a sua até agora cuidadora de unhas possa ir junto e bater um papo com a profissional. Deixe que elas se entendam e fique quietinho, apenas fazendo cara de paisagem.

Vai por mim, rapaz. É muito bom. E é sempre você que dá a última palavra. Débito ou crédito? É você que faz a escolha, meu! Viu? A decisão sempre será sua. Espero que dê certo e que a nossa amizade bem-humorada e parceira perdure para sempre, como unha e carne.

Ah, só mais uma dica. Tem uma hora lá em que talvez você possa sentir cócegas. Mas é muito bom, companheiro. Então, relaxa e… Relaxa e… Relaxa e… Feliz Ano Novo! Pode crer que vai dar o maior pé.