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Salve a cleptocracia!

Haisem Abaki

18 Março 2016 | 09h57

Ouviram das escutas as sacanagens ácidas
De um poderoso melancólico o brado esbravejante,
E o sol da vaidade, em raios fingidos,
Brilhou no céu da pátria agonizante.

Se o horror dessa indignidade
Conseguimos nos enganar com lamaço forte,
Em teu foro, ó impunidade,
Desafia o nosso pleito a própria sorte!

Ó pátria roubada,
Saqueada,
Salve! Salve!

Brasil, um pesadelo imenso, um raio lívido
De pavor e de gastança à terra desce,
Se em teu tenebroso réu, risonho e límpido,
A imagem do doleiro resplandece.

Gigante pela própria esperteza,
És rico, és forte, impávido e grosso,
E o teu futuro espelha essa safadeza

Terra devorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria roubada!
Dos filhos deste pré-sal és mãe gentil,
Pátria roubada,
Brasil!

Surrupiado eternamente em preço sórdido,
Ao som do marqueteiro e à luz do golpe profundo,
Fulguras, ó Brasil, corrupção da América,
Iluminado ao sol do dono do mundo!

Do que a terra mais ferida
Teus risonhos, lindos líderes têm mais dólares;
Nossos políticos têm mais vida,
Nossa vida no bolso deles mais valores.

Ó pátria roubada,
Saqueada,
Salve! Salve!

Brasil, de corruptor fraterno seja símbolo
O bárbaro que ostentas endinheirado,
E diga o verde-ouro dessa cédula
Paz no empreiteiro e glória no advogado.

Mas, se ergues da justiça a delação forte,
Verás que um militante teu não foge à luta,
Nem teme, quem te apavora, a própria morte.

Terra devorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil
Ó pátria roubada!

Dos filhos deste pré-sal és mãe gentil,
Pátria roubada,
Brasil!