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O último dos felicianos

Haisem Abaki

29 Março 2013 | 21h45

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados está mais para Comissão de Defeitos Humanos. Culpa só do homem que não quer largar o osso do comando? Ou seria apenas mais um caso de pessoa errada no lugar errado? O Judas do momento certamente deu munição para a malhação ao abrir a boca e ser fisgado, mas não fez o serviço sozinho e está se debatendo pra tentar escapar.
Ele chegou lá depois de transparentes acordos partidários, do tipo feirante e freguês discutindo o preço do bacalhau ou do pescado na Semana Santa. Abre-se mão de uma vaguinha aqui por outra ali e assim a fila anda.
E nessa hora não tem situação nem oposição. Ficam todos juntos e misturados no mercadão porque é assim que o negócio funciona. Todo mundo vende o seu peixe e sai ganhando.
O problema é que agora, com o cheiro de traíra podre se espalhando pelo ar, tem parlamentar com olho de robalo morto, que fica liso como sardinha e se livra fingindo não ter nada com o peixe.
Mas essa história de pescador tem um lado bom, ao trazer de volta a indignação de quem protesta e não aceita mais morder a isca calado. Pena que o cardume reunido para as manifestações ainda seja tão pequeno.
O oceano da internet e das redes sociais aproxima, mas ao mesmo tempo dispersa as pessoas. Peixes miúdos, unidos, sem computador e celular pra combinar a hora de nadar, se multiplicaram, foram às ruas e derrubaram um tubarão do palácio. Agora, mesmo com as petições virtuais que ganham milhares de adeptos, só aparecem uns poucos, pingados.
Felizmente ou “felicianamente”, a encrenca da Comissão de Defeitos Humanos é a única a ser resolvida e as outras comissões continuam a trabalhar em paz pelo bem da nação, enquanto manifestantes de plantão fazem a cerimônia do “lava-mãos”.
Sim, pode haver um desvio aqui e outro ali, como na Comissão de Constituição e Justiça. Lá estão alguns graúdos enrolados justamente na linha do Judiciário, até condenados, mas vigilantes no respeito às nossas leis e passando bem longe do anzol e da vara.
Na Comissão de Finanças, também há nomes que mergulharam de cabeça e bolso na imensidão do dinheiro público e ainda se divertem em mar calmo, cuidando muito bem dos nossos orçamentos e sem enfrentar ondas de protestos capazes de mandá-los para o caldeirão, o forno ou a brasa.
Então, assim que aquele peixe, que falou o que não devia, for pego merecidamente pela boca, estaremos salvos. E poderemos seguir em frente com o nada, nada, nada.

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Feliz Páscoa a todos!