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No reino mágico da feicibuquice

Haisem Abaki

25 Março 2016 | 10h37

Vejo que acabo de completar cinco anos de “relacionamento” com a rede social. Bodas de madeira, que chegam num momento de reflexão. Já não tenho mais paciência para certas posturas, comportamentos e intromissões. Deve ser o avançar da idade trazendo a rabugice.

Entrei por causa de um grande amigo que insistiu para que a conta eu abrisse. Iria encontrar gente bacana que não via há muito tempo, ele disse. E foi exatamente como se uma profecia se cumprisse.

Antigos companheiros de trabalho e da escola me fizeram feliz sem que eu pedisse. A saudade bateu e logo alguém sugeriu que a gente se reunisse. E alguns encontros rolaram e permitiram que a gente risse.

E várias postagens legais foram surgindo para que eu curtisse. Comecei aos poucos, mas as pessoas me achavam sem que eu agisse. A fase inicial foi de alguma fanfarronice. Logo postei um vídeo da música de abertura do Nacional Kid, ou Nacionaro Kido, um herói japonês da minha criancice.

Não dominava bem a técnica virtual, com minha habitual tontice. E foram surgindo ouvintes solicitando amizade com muita meiguice. Demorei um pouco pra entender essa simpática doidice. Segurei alguns pedidos até que me permitisse, mas não houve nada que fingisse.

Logo aquilo se transformou em poderoso instrumento de comunicação para que ideias eu transmitisse. Interagi tanto que às vezes a conversa impedia que eu dormisse.

E fui compartilhando um pouco de tudo com quem me ouvisse. Minha chatice, às vezes uma tagarelice, algum assunto que no rádio cobrisse e uma ou outra opinião que eu mugisse.

E falando de futebol publiquei muita palmeirice. Minhas corridas frenéticas também apareciam com seus tempos e percursos, como se eu me exibisse. Não era a intenção, apenas sandice. E vieram as fotos dos meus filhos em forma de corujice. Sem contar minha cachorra, com sua brejeirice. Depois, algumas de minhas aventuras gastronômicas pra sair da mesmice.

Também aproveitei pra divulgar meu blog a cada texto que subisse. Estourei fácil o limite de cinco mil pessoas, sem imaginar que tanta gente me seguisse. Resisti a algumas dicas, mas acabei criando uma página para que mais gente me visse.  Divulgo meu trabalho tentando, quando consigo, fugir da cretinice.

Só que hoje, confesso, me sinto incomodado em ver tanta babaquice. Manifestações de fanatismo, intolerância e de pura canalhice. Ódio trocado em “argumentos” de uma crescente bizarrice, como se só um lado estivesse certo e o outro povoado de burrice.

Dependendo do que falo ou escrevo, patrulheiros me chamam de petista ou tucano, como se isso me punisse. E nessas atitudes só vejo nojice. Por um mundo com menos lulices, dilmices, aecices, temerices, cunhices e suas invencionices. E que venham mais lavajatices para limpar as imundices.

Muita calma e tolerância, seja qual for o resultado, sem falsas expectativas e pieguice, com os repetidos discursos de tolices ou até com o vice. Que um dia a arma do voto seja suficiente pra combater as vigarices.

E continuo na rede social porque ainda tem gente boa e decente. A todos, deixo meus mais sinceros desejos de muitas coelhices e chocolatices.