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Mulheres, não leiam isto!

Haisem Abaki

24 Julho 2015 | 10h40

Numa roda de amigos, nosso assunto era a preferência nacional, internacional, talvez interplanetária, masculina. Claro, culinária. Trocávamos algumas receitas de bolo. Ah, também falávamos sobre cores de esmaltes. Disfarça, disfarça… Acho que algumas moças estão lendo.

Mas vamos lá… O tema era mulher, nas suas mais variadas e complexas versões de formas e conteúdos. Não necessariamente nessa ordem. É… Bom, era nessa ordem mesmo. Mas vou ficar apenas nos conteúdos, tá? Vai que tem alguma fazendo uma patrulha aqui… Questão de segurança!

Um dos participantes do papo doméstico e gastronômico relatava as experiências “adquiridas” por meio de um aplicativo “facilitador” de encontros. O cara tinha voltado a ser solteiro e não queria mais saber de casamento. Depois, até disse que toparia uma situação mais estável, mas cada um na sua casa. Nada de dormir de conchinha porque “vicia”. Ô vício bão… Isso não foi da parte dele. É uma nota do redator.

Outro interlocutor do animado falatório de cozinha havia desistido de um namoro de quase uma década. Cê tava casado e não sabia, mermão! Perdão, nova intromissão do escrevinhador destas linhas… Enfim, perceberam que não era bem aquilo que queriam, repartiram o que haviam juntado e “partiu, altar!”. Agora a estratégia do ex-quase marido é entrar nas redes sociais para reencontrar antigas namoradas. Primeiro uma olhadinha nas fotos e depois “oi, quanto tempo…”.

E o terceiro batedor de bolo demonstrava muita tranquilidade, como se já soubesse de tudo e não precisasse de receita. Dizia estar na fase “se cair na rede é peixe”, mas ficou a impressão de que a pescaria andava meio fraca. Ele “morreu pela boca” quando pedi mais detalhes das fisgadas e se voltou contra mim.

– E você? Todo magrinho, comidinha saudável, fica postando que correu no parque e ouvindo musiquinha romântica… Aí tem!

Como “mais experiente” da turma segui a estratégia que tanto aprecio: alimentar o mistério pra deixar dúvidas no ar.

– Cara, você só presta atenção no que “a mina” diz, mas tem que sacar o que ela não diz. É por aí…

Diante do “hein?”, parti para o futebol e citei dois craques que o companheiro de forno e fogão não viu em campo. Recorri ao drible elástico do Rivellino, aquele em que ele tocava duas vezes na bola com o mesmo pé, mudando o movimento como se fosse um elástico pra enganar o marcador. Nada! Resolvi ir para o exemplo do Mário Sérgio, o “Vesgo”, que olhava para um lado e passava a bola para o outro. Mas apareceu alguém do sexo oposto e encerramos ali nossa conversa sobre bolos e esmaltes.

Era dia de corrida e fui fazer uma das coisas que mais me dão prazer. A outra é… Bem, eu disse corrida, né? Uma boa hora pra pensar. E percebi que apesar da “aula” pros amigos nem sempre fui para o lado certo diante de “adversárias” boas de drible elástico e passe vesgo. Continuo ruim nessas jogadas e sinto que há uma jogadora que bate um bolão esperando uma reação. Talvez um drible pra depois correr pro abraço.

Mas arrumei um jeito de me defender, fazendo cara de “abstrato”, como diria Lulu Santos. Estava justamente pensando nisso quando meu “tocador de música” me proporcionou mais uma das coincidências que só acontecem comigo. “Apenas Mais Uma de Amor”, invadiu os meus ouvidos. “Eu gosto tanto de você/Que até prefiro esconder/Deixo assim, ficar/Subentendido”.

Pronto, falei! Alguém muito especial acabou de ler o que escrevi. Como eu sei disso? Ué, olha o título lá em cima. Foi só pedir pra não ler. Moleza! Preciso retomar aquele papo com meus três amigos. Só pra trocar mais umas receitas culinárias. No bolo de cenoura, vai cenoura?