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Desejos de Natal (e de sempre)

Haisem Abaki

23 Dezembro 2015 | 09h01

Passamos pela casa do bom velhinho no shopping e nada de o moleque olhar para o simpático barbudo. Espiou a decoração, observou a empolgação das crianças menores na fila e, pelo que percebi, deu uma olhadinha nas moças de gorrinho organizando a bagunça. Quando perguntei se queria bater um papo com o cara sentado na cadeira respondeu com um sorriso.

O garoto estava mais interessado em pesquisar o preço de um jogo eletrônico que queria ganhar. Disse não se importar se seria no Natal. Podia até ser depois, talvez no aniversário em abril. Sabia que era caro e me apresentou uma lista de lugares com valores e condições de pagamento. Explicou que o presente não era o mais importante dessa data e logo me pediu pra ir embora porque precisava ajudar a enfeitar a árvore em casa.

No caminho, forcei um pouco a memória e não consegui me ver assim, tão consciente, na idade dele, 12 anos. Acho que foi quando ganhei um relógio. Era um Seiko. Logo chamei a atenção dos colegas na escola. Usava o “cebolão” no pulso direito. E depois adotei o visor virado pra baixo. A molecada perguntava a hora só pra ver o malabarismo e tirar um sarro. Mais tarde, ainda adolescente, larguei o Seiko azulão. O substituto apareceu em outro Natal: um relógio de bolso.

A viagem no tempo me trouxe outras lembranças natalinas, todas automobilísticas. Ganhei o “Furacão”, um carrinho vermelho movido à fricção. O parceiro dele, amarelo, era o “Tufão”, mas esse eu nunca tive. Ganhei também um “Fitti Show”. Era uma pista de corrida em linha reta, com quatro carrinhos. Na caixa apareciam o Émerson e o Wilsinho Fittipaldi. Comecei a gostar de Fórmula 1 por causa do Émerson e fazia “narrações” nas minhas corridas no tapete.


O que mais? Uma máquina de escrever! Era uma Olivetti verde com teclado preto. O problema era trocar a fita. Sempre me sujava de montão. Um rádio Philco, que ia pra cama comigo. Um Estrelão! Nem sei se existe ainda… Pra quem não sabe era uma mesa com as marcações de um campo para se jogar futebol de botão. E junto vinham alguns times também. O Palmeiras e “os outros”.

E entre os presentes anuais que ainda tenho na lembrança recebi bolas, camisas de futebol (preciso dizer o time?) e, mais tarde, livros e roupas escolhidos por alguém muito especial que sempre conheceu meus gostos. Sem contar as inesquecíveis caixas de bombons, marca registrada do meu pai a cada Natal.

E os presentes que me dei, como um computador e algumas viagens no começo do Ano Novo. Mas o melhor de todos chegou em dezembro, alguns dias antes do Natal. Uma menina! E o outro entre os mais preciosos veio exatamente num Domingo de Páscoa. Um menino!

Hoje, sinceramente, minhas expectativas não são mais materiais. Quero apenas ser visto e compreendido como sou de verdade. Em troca ofereço o mesmo, reconhecendo o valor de quem realmente é importante nessa jornada da vida. Amor é uma coisa sem preço ou condição de pagamento. E nem precisa vir embrulhado pra presente. Aceito e retribuo tolerância e espírito desarmado.

É isso. É o que basta. Não necessito de mais nada. Nada, nada, nada mesmo. Quando digo nada é porque é nada. Tá bom, vai… Eu aceitaria um Autorama. Um sonho não realizado de menino. Ô da barba branca, você existe mesmo ou só fica fantasiado, sentado aí nessa cadeira? Não me lembro dessas “noeletes” no meu tempo…

……

A todos que me deram o prazer da companhia, aqui ou pelo Rádio, desejo um Feliz Natal.