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Ao conterrâneo Neymar

Haisem Abaki

14 Junho 2016 | 12h54

Cara, você não me conhece. Tivemos um rápido contato durante uma entrevista que você deu à rádio onde trabalho. Óbvio que você não vai se lembrar… Mas f… isso, como você mesmo diria. E já peço desculpas por falar umas m… também. Então, vou tomar certas liberdades, tá?

Primeiro, porque sou mais velho e posso me manifestar livremente sem ninguém me calar, desde que não ofenda quem quer que seja. Depois, porque somos conterrâneos. Você também nasceu em Mogi das Cruzes, onde vi seu pai jogar pelo União Futebol Clube. Atrevido ele. Um ponta-direita (gosto de falar assim) que ia pra cima. Camisa sete.

Ah, e temos mais uma “identificação”. Além de torcer pelo União, sou palmeirense desde criancinha, como você “era”. Não vejo problema em jogador profissional assumir o time de coração. Penso que você ainda seria genial com seus dribles e gols, independentemente da sua preferência futebolística.

Realmente, não imagino o “sofrimento” que é defender a seleção. Sempre fui perna-de-pau. Por isso, jamais me seria permitido o orgulho de vestir essa camisa com o AMOR (em maiúsculo), como você escreveu. Entendo o seu constrangimento com a eliminação na Copa América. Não deve ter sido fácil pra você estar lá em Las Vegas, a terra dos cassinos, enquanto a seleção dunganizada jogava a sorte fora e levava um gol de mão.

Mas, cara, ouvir m… é da vida, viu? Um monte de gente é criticada o tempo todo. Olha a Dilma aí, coitada, chamada de incompetente e acusada de crime de responsabilidade. E o Temer, apontado como golpista. Só pra ficar em dois exemplos… Poderia apresentar muitos outros, de gente morrendo de frio, sendo estuprada e agredida pela intolerância.

Acredito que você já tenha levado umas broncas de papai e mamãe na infância. Nem por isso deixaram de amá-lo, não é mesmo? Então, baixa a bola, rapaz! Muito mais do que uma eliminação numa Copa América ou de uma goleada de 7 a 1 para a Alemanha, tem coisa bem pior acontecendo aqui e no mundo globalizado que tanto admira o seu futebol. Olha, garoto, a vida está uma m… em vários aspectos e tem muita gente se f… sem parar.

É legal a gente se solidarizar com os amigos e companheiros de trabalho. É uma atitude muito nobre e digna. Mas pra fazer isso você não precisa xingar ninguém em público. Tenho certeza de que você só desabafou daquele jeito porque estava de cabeça quente. É até normal na sua idade.

Mas pense que, de tudo de errado que existe por aí, certamente a seleção é a menos importante. Gostaria de viver num país em que a indignação com “outras coisas” fosse a mesma de quando o assunto é futebol. Seria melhor pra todos nós e você não precisaria ficar irritado. Apenas jogaria de forma brilhante como sempre, com palavrões no máximo dentro de campo, no calor das partidas.

Continuo torcendo por você. E vou lhe dizer só mais uma coisinha, menino. Sinceramente, não seria uma m… se, por “merecimento”, ficássemos fora de uma Copa do Mundo. Poderíamos aprender muito com a lição. Eu sei que seria f… pra você e seus colegas de trabalho, mas não o fim do mundo. Vamos aguentar porque já estamos tomando…. Tomamos gol de mão e 7 a 1 diariamente. E sempre seguimos em frente, driblando os problemas. Ótima Olimpíada pra você, craque de bola! Assinado: Um Babaca.