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A cidade dos sonhos

Haisem Abaki

23 Setembro 2016 | 09h48

A cidade ideal existe e nela todos os habitantes são felizes, começando pelo Centro. Lá, pessoas que antes tinham baixa renda passaram a ter moradias dignas e emprego.

A inclusão foi possível graças a programas muito bem planejados e contou com a solidariedade dos mais ricos, que concordaram em pagar mais taxas municipais. Uma parcela dos bem nascidos também resolveu contribuir voluntariamente com um pouquinho mais de impostos.

Com mais dinheiro disponível, foram construídos hospitais e a saúde pública recebeu mais recursos. Todo o sistema foi informatizado e o cidadão passou a ter um prontuário eletrônico. O agendamento de consultas ficou bem mais rápido e ainda deu pra melhorar a distribuição de medicamentos. Isso sem contar um programa que leva médicos  às casas das famílias, que já  existia e foi ampliado. E se precisar o doutor vai de moto ou pega o aerotrem.

É que nessa bela e organizada cidade a mobilidade funciona direitinho. Os cidadãos viajam felizes de ônibus, com tarifa barata e até passe livre. E com mais conforto, regularidade nos horários, faixas e corredores exclusivos, além de wi-fi pra turma se conectar enquanto curte o trajeto. E o passageiro ainda pode andar de graça em ônibus circulares pelo Centro.


Também dá pra ir de bicicleta sem riscos e com toda a infraestrutura necessária. Os carros são bem regulados após uma inspeção e não poluem o ar. E o investimento em transporte veio com medidas criativas para desafogar o trânsito, valendo-se de novas tecnologias e políticas de uso de estacionamentos  públicos e privados.

Na educação essa cidade tem cada vez mais escolas e creches pra todo mundo. E o que já era bom ficou ainda melhor com a criação de escolas 24 horas, com atividades educacionais, sociais, culturais e esportivas para os alunos e suas famílias. E com aulas de comportamento para entrevistas de emprego.

Os bairros mais pobres recebem a maior parte das verbas públicas e contam com prefeituras regionais com orçamento próprio e autonomia para despesas e investimentos.

Só que nada de impostos sobre moradia e serviços municipais para a população assalariada. E se por um acaso alguém ficar desempregado a prefeitura fornece emergencialmente cestas básicas e dá isenção de pagamento de luz, água, IPTU e passe livre em todo transporte público.

Segurança pública e desenvolvimento econômico estão garantidos para todos e a gestão municipal é muito eficiente no combate à criminalidade e à corrupção. Nessa cidade, foram suspensas todas as obras realizadas a partir de benefícios às empreiteiras, que passaram por auditoria para verificar se os interesses populares foram lesados.

É uma cidade com tudo funcionando impecavelmente. E se alguém acha que falta alguma coisa ainda tem um subprefeito só pra cuidar do entretenimento e da noite. Tem também a Secretaria da Família, voltada à proteção dos valores éticos e à satisfação plena de suas necessidades. E o Parque do Vovô, um ambiente para idosos em áreas públicas de lazer.

Que bom que essa cidade existe. Ela é a São Paulo que está nos planos de governo dos onze candidatos que querem administrá-la. É só escolher quem será o prefeito perfeito. Ou a prefeita perfeita.