Feira de flores do Largo do Arouche completa 100 anos

Geraldo Nunes

01 Dezembro 2014 | 04h26

O Largo do Arouche é um daqueles lugares bucólicos que São Paulo ainda preserva. Simples, singelo, gracioso, inocente durante o dia, convivendo com um centro decadente e vizinho de uma via elevada que abriga embaixo de si centenas de moradores de rua que escancaram sua dor de viver só em uma metrópole da qual não querem sair por receber mais do que tinham no lugar de onde vieram. E assim São Paulo vai recebendo a todos de braços abertos embora em alguns casos o teto seja somente o da marquise do Minhocão.

Indiferente a isso o Largo do Arouche segue com sua coleção de bustos homenageando os imortais da Academia Paulista de Letras. Uma atração é a escultura de uma índia nua em bronze, de Victor Brecheret, que leva o nome “Após o Banho”. Outro atrativo é o restaurante francês La Casserole, que acaba de completar 60 anos, pertencente a uma mesma família desde a sua fundação. Quando foi inaugurado, em 1954, era chique morar e caminhar pelas ruas do centro, mas o Arouche ainda guarda o seu glamour graças ao famoso Mercado de Flores com idade ainda mais longínqua, 100 anos.

Uma das mais antigas barracas é a Flores Doria, adquirida pela família do atual proprietário Marcos Alexandre, em 1951. Ele conhece as tradições desse mercado implantado pela prefeitura em 1914 por causa do dia de finados. “Em 30 de outubro daquele ano o então prefeito, Washington Luiz, autorizou os comerciantes de flores a instalar barracas para funcionar junto com a recém-inaugurada feira livre do Largo do Arouche,” explica Alexandre ressaltando que nascia ali o primeiro mercado de flores da cidade, nesse mesmo ano em que as feiras – livres também foram regulamentadas

Vinte feirantes que já trabalhavam no comércio de flores se estabeleceram no Arouche e perfumaram o lugar com o aroma das rosas, cravos, lírios, dálias, bromélias e outras. A rosa é uma flor querida por todos e em todo o mundo seu simbolismo resplandece em diversas épocas, culturas, sociedades e religiões. Tida como a mais sublime das flores porque também representa a Mãe de Deus, a rosa existe em diversas cores, cada uma com o seu significado e uma flor é sempre destinada a quem queremos bem.

Significado da cor das rosas

As rosas vermelhas
São símbolo de amor, um simples amigo as pode enviar lisonjeando a beleza e o respeito que os une. Trata-se duma das cores mais excitantes e apaixonadas da rosa. Os jovens apaixonados costumam escolher a rosa vermelha para oferecer à sua parceira, mas também podem oferecer a um amigo como prova de respeito.

As rosas brancas
São o símbolo da pureza e da inocência. Esta cor costuma ser escolhida pelas noivas para os seus buquês.

As rosas cor-de-rosa
Oferecer uma flor cor-de-rosa é a forma de agradecer um favor importante. Também significa o apreço que se tem por alguém. Esta rosa também tem o significado de ausência de maldade, ou seja, não há nenhuma dupla intenção nas pessoas que as oferecem. Por isso, a pessoa que oferece este rama de flores é de fiar. Se a cor do ramo de flores é de um tom rosa suave, então significa admiração e simpatia.

As rosas amarelas
São as rosas ideais para oferecer a um adolescente. Para os mais supersticiosos, esta cor traz consigo uma malícia. Se a pessoa que oferece estas rosas não é muito próxima, então ela pode ter segundas intenções. No entanto, para as pessoas céticas, as rosas amarelas significam satisfação e alegria, e são uma boa forma de festejar entre amigos um aniversário significativo.

Outras cores
As rosas laranjas: Significam entusiasmo e desejo.
As rosas azuis: Significam confiança, reserva, harmonia e afeto.
As rosas verdes: Significam esperança, descanso da juventude e equilíbrio.
As rosas violetas: Significam calma, auto-controle, dignidade e aristocracia.
As rosas pretas: Significam separação, tristeza e morte.
As rosas cinzentas: Significam desconsolo, aborrecimento e velhice.

Talvez por ser um lugar singelo é que o comércio de flores se estabeleceu no Largo Arouche e se tornou comum chamar o lugar, desde então, como “Praça das Flores”. Antes o Arouche, diz a história, se chamou Largo do Ouvidor, depois substituído por Largo da Artilharia e ainda Praça Alexandre Herculano. O nome Arouche veio para homenagear o tenente general, José Arouche de Toledo Rendon, um antigo governante da cidade que teve uma casa ali. Ele foi também o primeiro diretor da Faculdade de Direito de São Paulo e diretor do Jardim Botânico.

As sete meninas da Casa Verde

Diz a lenda que Arouche tinha sete irmãs que moravam no centro e costumavam passar os finais de semana em uma chácara de propriedade da família nas margens do Tietê. Essas moças que viveram entre o final do século XVIII e a metade do século XIX teriam inspirado o nome do bairro da Casa Verde, não por causa da chácara na margem do Tietê, mas pela residência delas no centro que tinha essa cor. Meninas alegres e divertidas, moravam próximas ao Pátio do Colégio. Nos finais de semana quando chegavam fazendo algazarra à casa de veraneio às margens do Tietê, então um rio limpo onde se andava de barco e se nadava, as pessoas pacatas do lugar comentavam, “estão chegando as meninas da casa verde”. A presença delas, mais tarde, deu nome ao bairro onde ficava a chácara. Para não desviar muito a conversa as sete irmãs do general Arouche tinham por nome: Caytana, Ana, Pulquéria, Maria Rosa, Gertrudes, Joaquina e Rudesinda.

Um fato curioso e que não se sabe porquê, mas todas as sete meninas da casa verde morreram solteiras apesar do irmão ser um dos mais notáveis cidadãos de sua época. Outra curiosidade é que o pesquisador dessa história que acabamos de contar, Aureliano Leite, foi um escritor que presidiu a Academia Paulista de Letras cujo busto está no Largo do Arouche, lugar que homenageia um tenente – general que hoje em vez de representar armas, representa flores.