As tradições do Natal remontam a antiguidade

Geraldo Nunes

24 Dezembro 2014 | 15h28

Martim Lutero responsável pela Reforma Protestante, ocorrida no século 16, foi o criador da Árvore Natal. Certa vez em uma pregação ele utilizou um pinheiro e o enfeitou com velas para mostrar às crianças, como se iluminava a noite em que Jesus nasceu. O ensinamento caiu no gosto popular e a tradição se fez, com a árvore de natal representando o empenho de um ano todo de trabalho que se ilumina com a chegada do salvador.

Os antigos romanos já utilizavam os pinheiros para pendurar máscaras usadas em uma festa pagã chamada Saturnália, que coincidia com as festas de dezembro, onde havia comes e bebes e as pessoas trocavam presentes, mas sem o sentido religioso. Ao instituir o 25 de dezembro como marca do nascimento de Cristo a Igreja Católica Romana pôs fim à Saturnália e instituiu os festejos de Natal, mantendo a troca de lembranças porque Jesus recebeu presentes ao nascer. Os três reis magos Baltazar, Melchior e Gaspar deram de presente ao Menino Jesus, ouro, incenso e mirra. Na antiguidade, o ouro era um presente que se dava a um rei, o incenso para um sacerdote, por representar a espiritualidade e a mirra se oferecia aos profetas porque a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade.

Durante o inverno os povos europeus tinham por costume enfeitar suas casas com folhagens e árvores ainda verdes que assim davam alimento como símbolo de espera à primavera que se aproximava. Uma árvore de Natal toda verde, na religiosidade, é sinal de vida. As bolas penduradas significam os bons frutos oferecidos por Jesus à Humanidade e as velas representam a presença de Cristo como sua luz a iluminar o caminho dos homens e a aquecer os nossos corações. O hábito de se decorar as árvores para comemorar o Natal começou entre os germânicos, passando depois para o restante da Europa. A prática ganhou impulso a partir de 1841, quando o príncipe inglês Albert, montou uma árvore de natalina no palácio real britânico e os súditos passaram a imitá-lo.

A figura do Papai Noel é inspirada em São Nicolau, que tinha por costume presentear todos os anos os filhos das famílias pobres. Nicolau foi arcebispo de Mira, na Turquia, no século IV, procurando ajudar anonimamente pessoas que estivessem em dificuldades financeiras. Ele colocava moedas de ouro em um saco e ofertava a quem estivesse em dificuldade pela chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e de lá a tradição correu o mundo. Em Portugal o chamam “Pai Natal”. Já o presépio que representa o nascimento de Jesus foi imaginado por São Francisco de Assis, em 1223.

Nos Estados Unidos a publicidade encheu o Papai Noel de fantasia e até o seu endereço foi mudado. Assim, o enviaram para a Lapônia, na Finlândia, ao lado Pólo Norte. Os norte-americanos modificaram o Papai Noel com a justificativa de alegrar as crianças. Ele passou a viver com uma esposa, a Mamãe Noel, adotou incontáveis elfos mágicos e oito ou nove renas voadoras. Os elfos fazem os brinquedos na oficina e a renas puxam o trenó voador guiado pelo Papai Noel que distribui os presentes na noite e madrugada de Natal.

No século XX o Papai Noel passou a se vestir de vermelho para atender aos interesses comerciais da Coca – Cola visto que sua cor tradicional era o verde. Um fato interessante recente é que em alguns países o refrigerante passou a ter uma versão, lançada neste ano de 2014, com um rótulo verde. A Coca-Cola Life é uma versão sem os adoçantes presentes nos produtos light e zero. A proposta da Coca-Cola verde é adocicar os paladares com stévia, cujo poder adoçante é maior que o do açúcar refinado, além de conter nutrientes que ajudam a eliminar toxinas do organismo. Vale lembrar que só o rótulo muda de cor, o refrigerante não. A versão em stévia já está disponível nos Estados Unidos, Canadá, Argentina e Chile, mas não há previsão de ser comercializada no Brasil. A pergunta é, com essa mudança na Coca – Cola, o Papai Noel voltaria a vestir uma roupa verde?

Ainda sobre o “bom velhinho”, surgiu entre os educadores há algumas décadas, certa oposição a quem ainda passe às crianças o costume de acreditar em Papai Noel. Dizem que o fato além de desviar o sentimento infantil das origens religiosas, que é o propósito verdadeiro do Natal, valoriza o poder da mentira o que é eticamente incorreto. Outros se opõem ao Papai Noel porque ele se tornou símbolo do consumismo exacerbado tirando da festa o sentido da reflexão e da alegria e confraternização para impor a ostentação. Concluindo: Para se ter um feliz natal não é preciso obter coisas caras. O importante é estar em paz, de preferência ao lado de quem queremos bem sob as bênçãos do Menino Jesus que não deve ser esquecido. Ter boas festas é viver um Feliz Natal sem correria para ir ao shopping, sem trânsito e sem “stress”. Não adianta reclamar todo ano é assim mesmo! Então, Feliz Natal!