Por que Ayrton Senna é o melhor piloto de todos os tempos?

Geraldo Nunes

03 Maio 2014 | 08h15

Desde 2012  Ayrton Senna é considerado o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos, conforme a BBC que estabeleceu um ranking com os vinte melhores da categoria. A rede de televisão estatal britânica ouviu opiniões dos jornalistas que trabalham na cobertura da competição para a emissora. A conclusão foi que “provavelmente nenhum piloto na história da F-1 se dedicou mais ao esporte e deu mais de si mesmo na busca inflexível de sucesso do que ele”.

 Ao anunciar a escolha, a BBC publicou que “Senna era uma força da natureza, uma poderosa combinação de talento cru e espetacular com uma determinação às vezes aterrorizante”. A emissora inglesa também destacou que a morte do brasileiro pode ter ajudado na sua escolha. Na época o atual campeão Sebastian Vettel ainda não tinha chegado aos quatro títulos mundiais que o coloca em uma posição privilegiada em relação a outros campeões porque se iguala a Alain Prost e o deixa atrás somente de Michael Schumacher, com sete títulos e Juan Manuel Fangio com cinco. Além disso Vettel foi o mais jovem piloto a sagrar-se campeão e hoje é tetra tendo apenas 26 anos, enquanto que Ayrton foi campeão pela primeira vez quando já tinha 28.

Mas Ayrton passou por equipes pequenas ou que enfrentavam dificuldades financeiras, como a Toleman e a Lotus, até chegar à Mc Laren onde precisou enfrentar Alain Prost para conquistar seu espaço. Vettel que também é o mais jovem piloto a disputar um grande prêmio, com apenas 19 anos, fez sua estreia no GP dos Estados Unidos de 2007 na BMW Sauber.  No ano seguinte foi para a Toro Rosso onde ganhou sua primeira corrida, o GP da Itália, sendo contratado pela Red Bull em 2009. Nessa equipe sagrou-se seguidamente campeão a partir de 2011.  Embora até aqui com uma carreira fantástica, Vettel não teve que encarar um concorrente já campeão dentro da equipe e nem a política de bastidores exercida por Jean – Marie Balestre, presidente da Federação Internacional de Automobilismo que praticamente lhe roubou um título. Além disso deve ser levado em consideração que Ayrton Senna, era brasileiro, país de menor influência internacional, se é que se pode pensar assim, e Sebastian Vettel nasceu na Alemanha, assim como Michael Schumacher, duas vezes campeão na Benetton e cinco na Ferrari. Ao todo, foram sete títulos mundiais, 91 vitórias e 68 pole positions, números que o colocam no topo de quase todas as estatísticas absolutas.

Na escuderia de Maranello, Schumacher foi peça chave no processo de reestruturação da Ferrari, que passava por longo período sem títulos e ao lado de Jean Todt, Ross Brawn e companhia, estabeleceu uma sintonia nunca antes entre piloto e equipe. Apesar disso não há quem se lembre de alguma ultrapassagem do alemão que tenha se tornado inesquecível. Era inigualavelmente rápido com a frieza de um relógio. Encerrou a carreira vitoriosa em 2006 e retornou às pistas em 2010, porém sem o mesmo conjunto carro/equipe não voltou a brilhar.

Juan Manuel Fangio, assim como Ayrton, era sul-americano e conquistou cinco títulos mundiais. Disputando apenas 51 corridas obteve 24 vitórias, 29 pole positions e 35 pódios. Sem desmerecê-lo, porque os parâmetros de avaliação eram outros, dirigiu sempre os melhores carros, Alfa Romeo; Maserati; Mercedes e Ferrari e já chegou com notoriedade à F-1, uma categoria que ainda começava.

 Os outros dois brasileiros também campeões mundiais, para nosso orgulho, também aparecem na lista dos 20 maiores pilotos: Nelson Piquet (16º) e Emerson Fittipaldi (17º). O tricampeão Piquet é de um conhecimento técnico e mecânico muito grande e foi o maior acertador de carros até hoje na categoria. Fez a ultrapassagem mais arrojada da história com sua Willians sobre a Lotus de Ayrton no Grande Prêmio da Hungria de 1986 fazendo a curva com o carro quase de lado. “Foi como fazer um looping num Boeing 747”, comentaria Jackie Stewart outro fantástico campeão. O fato de certas vezes estar mau humorado o atrapalhou porque poderia ter se tornado um ídolo na mesma dimensão de Ayrton. Talento nunca faltou para isso. Dono de tiradas engraçadas Piquet dizia que “correr no circuito apertado de Mônaco é como andar de bicicleta dentro de casa”. Emerson Fittipaldi, por outro lado, é reconhecido como um dos mais simpáticos pilotos já surgidos na categoria. Conduzindo tinha a capacidade de raciocinar em velocidade, calculando o melhor momento para as ultrapassagens. Trouxe a Fórmula 1 para o Brasil e abriu as portas para os brasileiros na categoria. Queria também construir um carro brasileiro competitivo e isso lhe custou um sucesso maior que certamente viria além do bicampeonato. Mesmo assim foi campeão mundial também da Fórmula Indy e ser um dos poucos vencedores da Formula 1 a conquistar também as 500 Milhas de Indianápolis.

Ayrton Senna tinha por obstinação vencer e a vitória seria importantíssima naquele GP de San Marino de 1994,  mas o carro não estava como ele queria e buscou acertá-lo o quanto pode naquele treino fatídico que terminou com a morte de Roland Raztemberger. Foi traído pelo carro com a barra de direção quebrada. Foi o protótipo da Willians quem falhou e não Ayrton. Isso faz dele um mártir. O bicampeão Fernando Alonso comentou recentemente que a experiência adquirida com a morte de Ayrton fez com que a segurança aumentasse tanto nos carros quanto nos boxes. Os mais jovens que não o viram nas pistas, o tratam como mito e herói. Por essas atribuições e por tudo que foi dito e feito, embora qualquer comparação entre pilotos e pessoas seja algo subjetivo, a BBC escolheu certo concedendo a Ayrton Senna, o título de melhor piloto de todos os tempos.

 Confira a lista completa da BBC:

 1- Ayrton Senna (Brasil)

2- Juan Manuel Fangio (Argentina)

3- Jim Clark (Grã-Bretanha)

4- Michael Schumacher (Alemanha)

5- Alain Prost (França)

6- Stirling Moss (Grã-Bretanha)

7- Jackie Stewart (Grã-Bretanha)

8- Sebastian Vettel (Alemanha)

9- Niki Lauda (Áustria)

10- Fernando Alonso (Espanha)

11- Alberto Ascari (Itália)

12- Gilles Villeneuve (Canadá)

13- Nigel Mansell (Grã-Bretanha)

14- Mika Hakkinen (Finlândia)

15- Lewis Hamilton (Grã-Bretanha)

16- Nelson Piquet (Brasil)

17- Emerson Fittipaldi (Brasil)

18- Jack Brabham (Austrália)

19- Graham Hill (Grã-Bretanha)

20- Jochen Rindt (Áustria)