Telefone para você?

Fábio Bonini

24 Julho 2012 | 12h20

Reclamar de, ou para, as operadoras de celular virou lugar comum no Brasil. Problemas no sinal, cobranças indevidas, planos que são ótimas ofertas e péssimos negócios. De um lado a privatização do serviço de telefonia nos garantiu mais acesso e uma sensível melhora dos serviços, de outro, entretanto, com a enorme expansão de vendas e o encolhimento da importância das Agências reguladoras nos últimos anos, os problemas foram crescendo na mesma medida das vendas.

Em 2011 as operadoras de celular foram responsáveis pelo maior número de reclamações no Procon: a Oi teve 80,8 mil reclamações, seguida pela Claro, com 70,1 mil, e pela Tim que teve 27,1 mil consumidores insatisfeitos.

Somam-se a estes números outros milhares de consumidores que estão também insatisfeitos, mas que não procuraram o órgão de defesa do consumidor. E, nesta Guerra, o consumidor é refém: por mais que não aprove os serviços prestados pelas operadoras, precisa da sua linha telefônica para se comunicar (neste mundo insuportavelmente conectado).

Na impossibilidade de conseguir derrota-las, sem perder a saúde mental ou um tempo precioso, fica sempre a opção de trocar de inimigo e escolher outra operadora. Mas, a verdade é que nenhuma é um exemplo de boa prestação de serviço. Pois bem, talvez seja por isso que a notícia de que as operadoras estão com as vendas suspensas até que resolvam seus problemas de cobertura tenha me feito sorrir, apesar do nítido uso político desta.

Não que a proibição das vendas tenha algum reflexo positivo imediato na minha vida ou na dos meus amigos que vivem às turras com suas operadoras. Mas ver que estas empresas estão sendo atingidas onde mais dói (menos venda = menos receita = menos lucro), dá-me uma esperança de que agora elas se empenhem verdadeiramente em oferecer um serviço melhor. E, ao mesmo tempo, tenho a sensação de que nossos direitos de consumidor estão valendo alguma coisa.

Pois mesmo com tudo isso dado, ontem me surpreendi com um anúncio de jornal. Uma das operadoras citadas se gabava de não ter suas vendas suspensas especificamente no Estado de São Paulo e chamava as pessoas para comprar suas linhas e aparelhos. Posso estar num momento muito idealista, mas penso que além da Anatel e do Procon agirem, devemos nós, cidadãos consumidores, também fazer alguma coisa. Ou melhor, deixar de fazer, deixar de comprar de empresas que desrespeitam o consumidor. Mesmo que as vendas estejam liberadas no nosso Estado. Eu quero falar e ouvir, e você?

 Confissões de rodapé: O centro de São Paulo aos poucos vai ganhando ares europeus, principalmente no outono/inverno. Acho que os empresários poderiam apostar mais nesta mudança e nas oportunidades que surgirão.