Tá todo mundo no mesmo barco. Ou não?

Fábio Bonini

03 Julho 2012 | 14h42

Junho acabou. E foi um mês em que o meio ambiente e a sustentabilidade estiveram na boca de todo mundo. Primeiro porque no dia 5 de junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Depois, pela Rio+20, conferência da ONU que gerou mais críticas do que resultados (pelo menos por enquanto). Antes disso tudo, houve ainda uma mobilização incrível pelo veto do Novo Código Florestal.

Fico muito feliz de ver tanta gente pensando em sustentabilidade, manifestando sua preocupação, questionando. Realmente, acho que é papel da sociedade cobrar um posicionamento responsável do poder público em relação ao meio ambiente.  Isso pode ser feito das mais diversas formas: por meio de ONGs, como a Greenpeace que tem um posicionamento bastante incisivo e quase agressivo em relação ao assunto, por manifestações no mundo virtual, compartilhando informações, por protestos no mundo real…

Mas, antes de cobrar de terceiros comportamentos mais sustentáveis temos que repensar profundamente o nosso modo de viver neste planeta que defendemos. Muita gente ataca o consumismo desenfreado da sociedade, mas não pensa no próprio hábito de consumo. A verdade é que consumir – ou possuir – é sinônimo de status social e, nos últimos anos, um número cada vez maior de pessoas está desfrutando do seu direito de comprar.  Até mesmo o simples ato de presentear e demonstrar afeto implica em consumir. Já parou para pensar nisso? 

É claro que precisamos refletir sobre a real necessidade que temos em relação aos bens de consumo, mas eles são um direito de todos e não me parece justo condenar o “consumismo” de quem até pouco tempo atrás não tinha condições de comprar uma TV ou um carro. E também não me parece real esperar que o sistema econômico do mundo mude. Quer dizer, ele pode até mudar, mas se não nos comprometermos antes com outras mudanças menores, mas não menos significativas, não haverá tempo hábil para esta transformação.

Vejo muito nas ruas por onde transito, por exemplo, que há muitas pessoas que ainda varrem a calçada com água. Em São Paulo, menos de 5% do lixo é destinado à reciclagem. Tenho amigos fumantes que depois de terminarem seu cigarro, jogam a bituca na rua – e lá se vão 20 bitucas no chão por dia. O simples hábito de fechar a torneira enquanto se escova o dente não parece importante para muita gente. Assim como muitas pessoas não dão importância ao descarte correto de pilhas e baterias ou óleo de cozinha. São atitudes simples, não? Mas muito menos comuns do que deveriam ser, principalmente para quem quer ajudar a “salvar” o planeta.

Minha crítica não é aos que cobram do poder público ou de grandes empresários uma postura correta em relação à sustentabilidade. Aliás, não estou criticando ninguém. Só estou questionando se não seria melhor começarmos a mudar a realidade dentro das nossas casas para depois cobrar “macromudanças”. Melhor ou mais viável. Talvez a ordem das mudanças não seja o mais importante, porque o ideal seria que elas acontecessem ao mesmo tempo: agora! Concordo que o mundo deve mudar sua atitude em relação ao meio ambiente, mas sei que posso mudar também as minhas. E você? O que pode fazer agora?

 

Confissões de Rodapé: Desculpem pela preguiça dos últimos 2 meses….