O País das medalhas.

Fábio Bonini

12 Dezembro 2011 | 15h20

O Brasil foi o terceiro colocado no quadro geral de medalhas nos Jogos Panamericanos de Guadalajara, México. Foram 141 medalhas – 48 de ouro, 35 de prata e 58 de bronze. Na nossa frente ficaram Cuba, com 5 medalhas a menos no total e 10 medalhas de ouro a mais, e o país campeão EUA, com 236 medalhas, sendo 92 de ouro. Terminado o Pan, e mesmo durante sua realização, pergunto-me por que todos os atletas brasileiros parecem menos importantes do que os boleiros. Eu adoro futebol, mas nestas ocasiões em que temos contato com diferentes modalidades imagino como seriam os resultados se a exposição de outros esportes fosse maior. Não teríamos mais patrocínio, mais atletas e mais medalhas?

Atletismo, judô, vôlei, boxe, canoagem, esgrima, hipismo, karatê, pólo aquático, ginástica olímpica, halterofilismo, futebol, saltos ornamentais, boliche, basquete, patinação, handebol, triátlon, vela, vôlei de praia, luta olímpica, tênis, maratona aquática, “wakeboard”, natação, tiro esportivo, nado sincronizado, squash, pentatlon, ginástica rítmica, badminton, remo, tênis de mesa, trampolim acrobático, “taekondo”. Fiz questão de citar cada um deles. Todas estes esportes trouxeram medalhas ao Brasil. E outras modalidades pouco conhecidas também participaram, mas não conseguiram pódio.

Vivemos em um país continental, com uma quantidade de pessoas e uma variedade de biotipos incrível. Mas, no esporte, somos o eterno “país do futebol”, esporte que concentra quase que integralmente a atenção da mídia e recebe investimentos astronômicos. A única medalha que o futebol brasileiro trouxe, no entanto, veio pelos pés das brasileiras, que também reclamam da falta de investimento na categoria feminina do esporte nacional. Esta realidade – pouco investimento, infraestrutura, calendário consistente de competições – é a mesma de muitos medalhistas brasileiros. E entre os milhões que não tem talento ou interesse por futebol com certeza existem milhões potenciais ginastas, tenistas, velocistas, judocas, triatletas e jogadores de outros esportes coletivos. O que falta é apresentar outros esportes aos brasileiros.

Além do poder público, a mídia pode contribuir imensamente para que o desempenho do Brasil seja melhor nos próximos Jogos Panamericanos ou Olímpicos. E também para que os expectadores tenham mais oportunidades de torcer, vibrar e comemorar as vitórias do esporte nacional. Quem não se emocionou com o espírito esportivo mostrado por Vanderlei Cordeiro de Lima em 2004, após a agressão do irlandês que lhe tirou a medalha de ouro? Terminados os jogos olímpicos, ele parou de competir? Não. Suas provas foram televisionadas? Também não.

Como disse, adoro futebol. Não perco um jogo do meu time me nem da nossa seleção. Mas me pergunto como Cuba, um país com imensas dificuldades políticas, econômicas e sociais, pode ter mais medalhas de ouro do que o Brasil – tendo uma população muito menor. A valorização do esporte, e de todos os esportes, produz um país campeão. A exposição de diferentes modalidades é o primeiro passo para mostrar ao brasileiro que nosso país é mais do que “o país do futebol”. Ou pelo menos, tem tudo para ser.

E, claro, a preocupação maior não é apenas com as medalhas, mas com todo o percurso que se há de fazer para chegar a elas, milhares de jovens ocupando suas vidas com atividades saudáveis, com espírito de equipe, com todos os bons ensinamentos e as orientações que a prática de qualquer modalidade esportiva traz aos jovens, como verdadeiro complemento de sua educação e de sua formação como cidadão.

Eu acredito que qualquer esporte complementa a Educação e forma melhores cidadãos, você não?

 

Confissões de rodapé: Nunca é tarde para começar de novo ….