Mais do que tolerância: respeito.

Fábio Bonini

19 Dezembro 2011 | 16h57

A parada gay de São Paulo reuniu em 2011 nada menos que 4 milhões de pessoas na Avenida Paulista. É considerada a maior do mundo e, este ano teve como tema “Amai-vos uns aos outros. Basta de homofobia”. Infelizmente, outro número faz frente aos milhões de participantes da parada: a quantidade de ataques covardes (e impunes) a pessoas que circulam por São Paulo. Em 2011, foram registradas mais de 10 agressões gratuitas a homens na região da Avenida Paulista.

Onde milhões celebram a diversidade, alguns mostram sua face mais intolerante. E esses poucos mostram que o apelo de 4 milhões está longe de ser ouvido. A cidade que se orgulha de ser cosmopolita e abraçar a todos, assiste calada à uma onda de intolerância. Quantos agressores já foram presos? Quantos foram identificados? Quantas pessoas ainda vão ser agredidas sem nenhuma justificativa?

Na maioria dos casos os agressores chegam em maior número do que os agredidos, aproveitam-se do elemento surpresa (pois ninguém espera ser agredido gratuitamente) e vão embora sem dizer uma palavra. O único que fazem é ferir quem está na rua, pacificamente. Ou seja, sob o estigma de machos valentões, os agressores agem com uma covardia distoante até dos seus distortcidos conceitos e pré-conceitos.

Muitas vítimas não vão ao Distrito Policial registrar queixa para evitar exposição – o número de agressões é maior do que o registrado, e também por medo de não serem submetidos a um segundo constrangimento, embora neste aspecto seja forçoso reconhecer que a Polícia de São Paulo avançou muito. 

A estupidez destes ataques sem sentido é um alerta a todos os cidadãos, pois cada ser humano é único e nenhum é igual ao outro – respeitar esta condição é premissa básica para a vida em sociedade. Isso é corolário da civilização antes da democracia. 

Poderia tratar aqui da triste questão da incapacidade de aceitação humana, seja de um comportamento alheio, seja da auto aceitação. Mas como sou advogado e não psicólogo, tenho um raciocínio mais simples sobre o assunto: esses agressores têm que ser identificados e processados o quanto antes. Por respeito a cada um de nós e a cada uma das nossas diferenças, pois você que lê este texto também é diferente de mim, certo?

 

Confissões de rodapé: Um brinde ao inventor do Panetone sem uvas passas e frutas cristalizadas.