Vulnerabilidade no Rio

Estadão

06 Abril 2010 | 16h17

Um projeto do Núcleo de Estudos da População da Unicamp em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou nas duas maiores metrópoles brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, os lugares mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. Relatório preliminar apontou que o ponto mais crítico no Rio de Janeiro está na Lagoa Rodrigo de Freitas e nas regiões próximas das Baías de Guanabara e de Sepetiba, ao passo que em São Paulo está na ocupação do leito dos rios Tietê e Pinheiros.

O aumento da temperatura, constatado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), já começa a dar mostras de que está afetando o Rio de Janeiro. Segundo especialistas, por si esta elevação não seria tão impactante não fosse a sua associação com os eventos de chuva mais intensos e que podem alcançar em cheio as partes mais baixas da cidade. Trata-se de uma situação caótica e já com diversos eventos decorrentes das mudanças naturais. Com o aquecimento global, as mudanças tendem a se intensificar. As chuvas das últimas 24 horas já deixou, até o momento da elaboração desse post, 82 mortos.

As primeiras avaliações tomaram por base paineis realizados pelo grupo, congregando as ideias dos especialistas dos dois Estados e do exterior na área de mudanças climáticas. O Rio de Janeiro já possuía um documento elaborado pelos pesquisadores do Instituto Pereira Passos, da Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura da capital fluminense, que serviu como ponto inicial para situar os vários problemas das mudanças climáticas. Nesse Estado, foi efetuado um levantamento das áreas mais vulneráveis entre a cota 40 cm e 2 metros, notando-se que a elevação do nível do mar se agravaria muito se somada aos eventos de chuva mais intensos.

Essa associação começaria a interferir também em áreas que normalmente não seriam alcançadas. Como o Rio de Janeiro sofreu um processo de ocupação muito intenso e irregular, as áreas de morros e de encostas sofreram com o desmatamento, tornando-se mais sujeitas a desmoronamentos. Isso porque a superfície do solo passou a não contar mais com a proteção da vegetação e, à medida em que ocorrem chuvas mais intensas, também desprendem-se as camadas superficiais do solo, deixando-o mais propício a escorregamentos, por não dispor de um sistema de drenagem adequado.

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