Dava para evitar a tragédia?

Estadão

07 Abril 2010 | 15h15

O não monitoramento de áreas de risco, a não remoção de casas construídas em terrenos instáveis e a inexistência de cartas geotécnicas são erros acumulados na gestão do crescimento urbano. Aliado a isso, o descaso em relação às características geológicas e geotécnicas dos terrenos ocupados estão na origem das enchentes e deslizamentos no Rio de Janeiro, São Paulo e em outras regiões do País. Estas são as principais conclusões contidas em um documento elaborado pelos principais especialistas brasileiros em estabilidade de encostas. Para “interromper o avassalador fluxo de produção de novas situações de riscos geotécnicos”, municípios e Estados precisam adotar um conjunto de cinco medidas urgentes. Essas medidas são apresentadas no documento “Carta às Autoridades”, assinado pelo engenheiro geotécnico Jarbas Milititsky, presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), e pelo geólogo Fernando Kertzman, presidente da Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE). Os especialistas apontam a necessidade de elaboração de cartas geotécnicas e cartas de riscos, a começar das áreas mais críticas; fazer o monitoramento das áreas de riscos; realizar a remoção de moradias localizadas em pontos instáveis; efetuar a capacitação de técnicos nos municípios e Estados juntamente com o treinamento das comunidades situadas em áreas de risco.

“A elaboração desses documentos cartográficos e de monitoramento demanda alguns meses de trabalho de equipes multidisciplinares, mas seria possível que no início do próximo semestre os municípios mais críticos já tenham esses instrumentos de gestão disponíveis, de modo que as medidas de antecipação ao próximo período chuvoso possam ser implementadas eficientemente. A ausência destes instrumentos faz com que hoje grande parte do esforço e dos recursos despendidos concentre-se nas ações imediatas e emergenciais de atendimento pós-desastre, sobrecarregando os órgãos da Defesa Civil. A prevenção é possível, eficiente e mais barata que a remediação”, diz a carta que será aprsentada ao público no dia 16, no Instituto de Engenharia, em São Paulo.


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