Turismo religioso tem porta aberta no feriado
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Turismo religioso tem porta aberta no feriado

São Paulo conta com museus e igrejas históricas com passeios sacros à disposição e entre as opções está um tour pela cripta da Catedral da Sé

Edison Veiga

24 Março 2016 | 05h00

Foto: Werther Santana/ Estadão

Foto: Werther Santana/ Estadão


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Já que o feriadão tem motivação cristã, uma boa maneira de aproveitá-lo, se você decidiu não encarar estradas nem aeroportos, é dar uma de turista religioso em São Paulo. Opções não faltam. A cidade conta com museus e igrejas históricas – e há interessantes passeios sacros à disposição.

Uma das principais instituições do País dedicadas ao estudo, conservação e objetos artísticos relacionados ao catolicismo, o Museu de Arte Sacra, na Luz, ocupa um imóvel histórico por si só. É a ala esquerda do Mosteiro da Luz, onde vivem atualmente 14 religiosas enclausuradas, monjas concepcionistas. O edifício, inaugurado em 1774, foi fundado pelo franciscano Antônio de Sant’Ana Galvão (1739-1822), o Frei Galvão, primeiro santo nascido no Brasil. Há quem diga que ele próprio colocou a mão na massa, atuando na construção do templo.

O museu foi fundado em 1970, graças a um acordo firmado entre o governo do Estado e a Arquidiocese de São Paulo. Em seu acervo, há peças acumuladas pela mitra arquidiocesana ao longo do século 20, originadas de antigas igrejas de todo o País. Destacam-se obras de Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), o Aleijadinho, Frei Agostinho da Piedade (1580-1661), Almeida Júnior (1850-1899) e Benedito Calixto (1853-1927), entre outros. O museu estará fechado nesta sexta, mas abre normalmente no sábado e no domingo, das 9h às 18h. O ingresso custa R$ 6 – aos sábados, a entrada é grátis.

A Catedral Metropolitana da Sé é outro endereço que vale uma visita minuciosa. Projetada pelo engenheiro e arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl (1861-1916), foi erguida entre 1913 e 1967, em seu característico estilo neogótico. Sob o altar, há uma cripta que pode ser visitada: com 619 metros quadrados e 7 metros de altura, é revestida com piso de mármore de Carrara. Ali são 30 túmulos – em 15 deles estão sepultados bispos portugueses e brasileiros que atuaram na capital paulista. Também foram depositados no local os restos mortais do cacique Tibiriçá, um dos primeiros índios a ser catequizados pelos jesuítas no Planalto de Piratininga. O tour pela cripta custa R$ 7 e ocorre de terça a sexta das 13h às 16h30; e aos sábados, das 9h às 15h – até a tarde de ontem, a secretaria da igreja não soube confirmar se, em virtude das solenidades da Sexta Santa, haverá visitação nesta sexta.

A programação religiosa da Sé também será intensa nesses dias. Hoje, às 9h, há a tradicional missa do Crisma, em que cerca de 350 padres da arquidiocese devem renovar seus votos sacerdotais, junto ao cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer. Às 19h, dando início ao chamado Tríduo Pascal, o cardeal celebra a missa de lava-pés – Scherer vai lavar os pés de 12 migrantes acolhidos pela Missão Paz.

Na sexta, às 9h, haverá a tradicional via sacra do povo da rua, partindo do Largo de São Bento. Às 15h, está prevista a missa da Paixão. Na sequência, às 17h30, uma procissão recordando o sepultamento de Jesus – a caminhada se encerra com padre Zezinho, que fará o Sermão das Sete Palavras. No sábado, a partir das 19h, tem início a solene vigília pascal. No domingo, a Páscoa será celebrada com missa especial, às 11h, com participação da Orquestra do Senai.

Na Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida como igreja do Mosteiro de São Bento, os monges têm agenda cheia. Hoje, às 7h, eles rezam as laudes. Às 11h45, é a vez da hora média. Às 18h, celebram a missa de lava-pés e, em seguida, às 20h30, encerram a jornada com as completas.

Às 6h30 de sexta, os monges iniciam as vigílias, com canto das Lamentações. Às 8h30, é a vez das laudes cantadas, seguidas pela hora média, às 11h45. A partir das 13h, com os oblatos beneditinos seculares, uma via sacra sai do Largo de Santa Ifigênia. Uma solene ação litúrgica está marcada para as 15h. O dia santo se encerra às 19h, com as completas.

No sábado, novamente vigílias a partir das 6h30, laudes cantadas às 8h30 e hora média às 11h45. Às vésperas estão marcadas para as 17h30 e a solene vigília pascal se inicia às 22h40. No domingo, a programação começa às 7h, com as laudes cantadas. Há missas às 8h30 e às 10h. Às 16h45 ocorrem as vésperas pontificais e a benção do Santíssimo Sacramento.

Aos que não admitem passar pelo mosteiro sem comprar algum dos famosos pães fabricados pelos beneditinos, um alerta: a lojinha não abre na Sexta Santa. E, como sempre, também fica fechada aos sábados. No domingo, estará funcionando até o meio-dia.

Jesuítas. Marco da fundação de São Paulo, o Pátio do Colégio estará fechado em todos os dias do feriado. Assim, não será possível conferir o museu. Mas, na igreja, há a programação litúrgica do período, com missa da Paixão na sexta, às 15h, e vigília solene no sábado, às 20h. Assim, dá para ver as duas relíquias de José de Anchieta (1534-1597), o padre jesuíta considerado um dos fundadores de São Paulo – e que, beato desde 1980, foi declarado santo pelo papa Francisco. Ali está exposto parte do fêmur direito que teria sido do religioso, além de um manto que, acredita-se, ele usava em suas andanças pelo Brasil.

Inaugurada em 1622, a mais antiga igreja das que existem em São Paulo, a Capela de São Miguel Arcanjo, em São Miguel Paulista, na zona leste, é aberta à visitação, com ingresso a R$ 4. Estará fechada na Sexta Santa, mas funciona normalmente no sábado, com tours das 10h às 12h e das 13h às 16h. Além do prédio em si, com seus 394 anos, é possível apreciar pinturas murais e o mobiliário sacro antigo.

Para entender a história do local, é preciso voltar aos primeiros anos da cidade. Em 1560, índios guaianás se desentenderam com os colonos da então Vila de São Paulo de Piratininga. Comandados por Piquerobi, irmão do conhecido cacique Tibiriçá – aliado dos padres jesuítas -, eles caminharam 20 km ao leste e criaram uma nova aldeia, batizada de Ururaí.

Receosa de perder esses índios, a Companhia de Jesus delegou ao padre José de Anchieta a missão de reencontrá-los. Um percurso difícil à época, parte por terra, parte pelo Rio Tietê. Quando chegou ao local, o religioso tratou de renomear o povoado como São Miguel de Ururaí. Ali ergueu uma pequena capela, de bambu e sapé. Nascia o bairro de São Miguel Paulista.

A rudimentar construção religiosa deu lugar, décadas mais tarde, a uma nova igrejinha de taipa de pilão. É esta, de 1622, que vence o tempo e resiste até hoje – tombada por Iphan, Condephaat e Conpresp, respectivamente os órgãos federal, estadual e municipal de proteção ao patrimônio.

No bairro do Ipiranga, parte da sede geral da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição é um memorial dedicado à Santa Paulina, a primeira personalidade brasileira canonizada pelo Vaticano. Nascida Amabile Lucia Visintainer (1865-1942), a tirolesa emigrou ao Brasil aos 10 anos. Foi nessa casa religiosa de São Paulo que ela passou os últimos anos de sua vida. O quarto dela foi preservado e integra o memorial, de seis salas, aberto à visitação pública. Estará fechado na Sexta Santa, mas abre normalmente no sábado, das 9h30 às 12h e das 13h às 17h, e no domingo, das 9h às 12h.