Testemunha da História de SP: lembranças da 1ª Parada Gay
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Testemunha da História de SP: lembranças da 1ª Parada Gay

Ativista recorda dos bastidores da organização da primeira marcha do tipo em São Paulo

Edison Veiga

16 Abril 2015 | 07h33

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão


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Foram apenas 500 participantes, conforme algumas estimativas. Ou 2 mil, de acordo com outras. Apesar dos números modestos, a primeira edição da Parada Gay de São Paulo foi um marco. “Ocupamos as ruas durante o dia e nos tornamos visíveis”, recorda-se o ativista Roberto de Jesus, mais conhecido como Beto de Jesus, hoje com 52 anos, um dos organizadores daquele evento. “No final, eu chorava muito. De felicidade.”

O evento que nos anos seguintes ocuparia a Avenida Paulista – com término na Praça Roosevelt – teve, em 1997, um trajeto do Estádio do Pacaembu até a Barra Funda. Formado em Filosofia e Teologia, Beto tinha experiência no movimento operário da Zona Leste nos anos 1980 e, na época, coordenava um programa social para crianças na então Secretaria do Menor do Estado de São Paulo. “A Parada foi organizada por sete grupos de ativistas gays e dois núcleos de partidos políticos, um do PT (Partido dos Trabalhadores), outro do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado)”, recorda-se Beto, atualmente consultor nas áreas de HIV, diversidade e combate a homofobia no ambiente de trabalho, além de ocupar o posto de secretário para a América Latina e Caribe da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA, na sigla em inglês).

Em 1997, Parada foi organizada por 7 grupos e 2 partidos políticos

“Foi mambembe, mas comunitário. Demoramos seis meses para organizar tudo, em diversas reuniões, nas quais pintávamos os convites à mão, um a um”, conta. “No dia da marcha, nosso carro de som era uma Kombi, com um microfone que tinha apenas 2 metros de fio. Mas as pessoas estavam felizes.”

Dissidente do grupo que atualmente organiza o evento – atualmente chamada de Parada do Orgulho LGBT –, Beto dedicou-se, a partir de 2002, a criar marchas semelhantes em outros locais do País. “Mas nunca deixei de estar presente na Parada de São Paulo. Embora discorde do atual formato, vou a todas as edições. Não mais pela festa, mas por dever cívico”, explica.