Testemunha da História de SP: em homenagem a Vlado, contra a ditadura
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Testemunha da História de SP: em homenagem a Vlado, contra a ditadura

Uma semana após morte de jornalista, ato reuniu 8 mil na Sé

Edison Veiga

07 Abril 2015 | 15h37

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão


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Sexta-feira, 31 de outubro de 1975. Em plena ditadura, oito mil pessoas se reuniram na Catedral da Sé, centro de São Paulo, para um ato ecumênico comandado pelos então cardeal-arcebispo de São Paulo d. Paulo Evaristo Arns, rabino da Confederação Israelita Paulista Henry Isaac Sobel e reverendo Jaime Nelson Wright, pastor presbiteriano. Uma semana após o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, ter sido morto nos porões do Exército, a celebração era um desafio ao regime militar.

Religiosos foram ‘escudo protetor’

“Eu era estudante (3º ano de Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), aluno do Vlado e foca (jornalista iniciante) dele na TV Cultura”, recorda-se o hoje consultor de comunicação Gabriel Priolli, na época com 22 anos. “Fomos para lá morrendo de medo, achando que, ao fim, todos seríamos presos. Era uma tensão muito grande, apesar de sabermos que estávamos calçados politicamente, graças ao apoio do cardeal, do rabino e do reverendo. Os religiosos foram nosso escudo protetor.” Priolli lembra-se bem do temor que era olhar para os prédios vizinhos à Praça da Sé e vê-los cheios de policiais, munidos de câmeras e, claro, armas.

Então estudante de Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, o hoje jornalista Dirceu Rodrigues (que aparece na foto) também tinha 22 anos naquele dia e foi até a Sé com outros quatro estudantes. “Eu morava numa travessa da Brigadeiro Luís Antonio. Encontramo-nos na minha república e de lá partimos”, conta. “Nossa rua ficava próxima a um departamento do Exército. Tinha guarda armado o tempo todo.”

Rodrigues recorda-se que, a mando do Exército, o trânsito de veículos na região central foi invertido naquele dia, dificultando que as pessoas chegassem à Sé de carro ou de transporte público. Ele e seus amigos foram a pé. “Estávamos super apreensivos, com medo mesmo, pois o clima era horroroso”, comenta. “Lembro-me da emoção que foi o culto. Quando terminou, saímos rapidinho. Sabíamos apenas que acabáramos de testemunhar um momento bem negro da nossa História.”