‘SP muda coração’ e outras histórias de Saúde
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‘SP muda coração’ e outras histórias de Saúde

Novidades científicas, epidemias e curas que foram destaque na cobertura do 'Estadão'

Edison Veiga

21 Janeiro 2015 | 07h47

Foto: Reprodução

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Epidemias e novas vacinas. Remédios, cirurgias, inovações. Hospitais recém-inaugurados. Ao longo da História, foram raros os dias em que assuntos relativos à Medicina não se tornaram objeto de reportagem no Estadão.

Sinônimo de pânico no fim do século 19 e início do 20, a febre amarela apareceu pela primeira vez no jornal em 27 de janeiro de 1876. Em uma nota sobre “mortalidade da corte”, ou seja, número de mortos no Rio de Janeiro, havia a informação de que, nos primeiros 15 dias daquele ano, a então capital brasileira registrava 46 vítimas fatais da doença.

Alguns eventos importantes ocorreram nas décadas seguintes – nos quais, inclusive, começam a se tornar relevantes nomes depois consagrados da Medicina brasileira. Em 1902, Sorocaba, no interior paulista, lançou uma campanha contra a disseminação da doença, sob o comando do médico sanitarista Emílio Marcondes Ribas (1862-1925). No ano seguinte, foi a vez de o Rio iniciar campanha contra a febre, liderada pelo médico Osvaldo Gonçalves Cruz (1872-1917).

Considerada erradicada em áreas urbanas no Brasil desde 1942, a doença é transmitida por um mosquito que continua estampando (e muito) as páginas do Estadão: o Aedes aegypti. Trata-se do vetor da dengue e da nova chikungunya – que apareceu no jornal pela primeira vez em março de 2006, como “pânico europeu que vem do Oceano Índico”. Nos anos seguintes, o Estado noticiou casos na Itália, em Madagascar e em países asiáticos. A primeira notícia da doença em solo brasileiro saiu em 9 de dezembro de 2010, sob o título “Vírus importado faz País aumentar ações de vigilância” – um relato sobre dois pacientes de São Paulo e um do Rio infectados pela febre chikungunya no exterior.

Outra epidemia constante do noticiário recente, o ebola foi noticiado pela primeira vez no jornal em 2 de junho de 1977, em artigo que descrevia a aparição da doença em uma cidade alemã, além de casos na África do Sul, Sudão e Zaire.

Curas. Em 11 de maio de 1954, o Estado publicou uma entrevista com o biólogo e farmacologista Alexander Fleming (1881-1955), descobridor da penicilina, sob o alvissareiro título “Cientistas britânicos procuram descobrir novos antibióticos”. O pesquisador estava em São Paulo para um evento no Hospital das Clínicas.

Considerada erradicada do Brasil desde 1994, a poliomelite também sempre esteve no noticiário, principalmente na década de 1980, quando os esforços governamentais para acabar com a doença no País se traduziram em intensas campanhas de vacinação. Na luta contra a poliomelite, o nome do descobridor da cura, o cientista Albert Sabin, é constante. Ele esteve diversas vezes ao Brasil. Na primeira visita, em 1963, foi homenageado pela Câmara de São Paulo com o título de Cidadão Paulistano – conforme noticiado pelo Estado em 31 de agosto daquele ano. “Agradecendo a manifestação, o professor Sabin disse, em sua modéstia, que a recebia não como um tributo à sua pessoa, mas à ciência médica de todo o mundo na sua luta contra as endemias”, frisava a reportagem.

Feito histórico. Quando o médico cardiologista Euryclídes de Jesus Zerbini (1912-1993) realizou o primeiro transplante de coração no Brasil, em 25 de maio de 1968, a manchete do Estadão foi “S. Paulo muda coração” (a página está reproduzida no início deste post). A cirurgia foi realizada no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

A ampla cobertura, que ocupou sete páginas do jornal, trouxe até a repercussão do feito do brasileiro – o quinto médico do mundo a realizar esse tipo de procedimento – junto ao precursor do método, o médico Christiaan Neethling Barnard (1922-2001). “Não me surpreendi em absoluto com a operação de transplante efetuada em São Paulo pelo dr. Zerbini”, afirmou Barnard. “Já esperava essa notícia, uma vez que o próprio dr. Zerbini me havia revelado seus propósitos, durante minha recente viagem ao Brasil.”

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