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SP, 463 anos

Edison Veiga

24 Janeiro 2017 | 16h15

(As fotos acima são do craque Tiago Queiroz.)

O centro de São Paulo são camadas que acumulam insólitas belezas a partir de suas marcas históricas. É vivo – por isso mistura o novo e o velho, o limpo e o sujo, o rico e o pobre e todas as dicotomias que o fazem ser único, que o fazem ser efervescente, que o fazem ser metrópole. São Paulo é uma raríssima metrópole mundial que sabe exatamente onde foi fundada: a réplica do Pátio do Colégio está ali a nos lembrar da geografia daquele remoto planalto onde José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e outros homens de batina celebraram o santo de 25 de janeiro, naquele longínquo 1554, com índios – boquiabertos, talvez. De cidadezinha provinciana de pouco mais de 20 mil habitantes no fim do século 19, para a maior e mais pulsante metrópole do País ao longo do século seguinte, foi um salto abrupto que, como não podia deixar de ser, deixou feridas e imprimiu tatuagens no centro. A ponto de, nos anos 1980 e 1990, ter havido uma época de negação daquilo que ali havia, uma vontade do paulistano de não assumir aquilo como parte de sua cidade, como vida acontecendo – de um modo indesejado, mas acontecendo. O tempo passou, e numa cidade de 463 anos já ficou claro que o tempo é mesmo o senhor de todas as cicatrizes, de todas as bandeiras e de todos os assentamentos. Pois a fuligem assentou, vieram os novos desbravadores do centro, nasceu um novo olhar para o que é belo, o que merece ser cultuado e apreciado. Tais e quais arqueólogos, estes rasparam o presente para encontrar vários passados que valiam a pena serem revistos, os nem tão remotos assim, os da época da fundação. E com isso significaram o próprio presente. Trouxeram, os paulistanos de então, a vontade de assumir novamente o centro como símbolo da selva de concreto. Com a tendência – mundial, diga-se – de reapropriação dos espaços urbanos pelos cidadãos comuns, o centro foi redescoberto, reinventado, ressignificado. De modo que, a seu modo, está lindo o aniversariante. Um convite: vá revê-lo.

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