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Protagonismo paulistano

OPINIÃO

Edison Veiga

24 Janeiro 2017 | 15h58

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Por André Rocha e Paula Dias*

NON DVCOR DVCO. Esse foi o título do nosso artigo em 2015 aqui neste blog. Neste novo momento da cidade de São Paulo, relembramos o título para ressaltar que independente de quem está como prefeito de nossa cidade, temos que assumir o papel de cidadão protagonista. Não sou conduzido, conduzo! As palavras em latim que estão escritas no brasão da bandeira de São Paulo refletem o papel social que cada paulistano tem com a sua cidade para lembrar a necessidade de nos colocarmos presentes no aqui e agora, ativos e valorizarmos a cidade que conduzimos dia a dia.

Vivemos um momento de muita polarização em que tudo vira “guerra” de torcida de futebol, principalmente no ambiente político. O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dias atrás, em seu discurso de despedida lembrou que para muitos de nós, tornou-se mais seguro retirar-se para dentro de nossas próprias bolhas, sejam elas nossos bairros, nossas universidades, nossos feeds das mídias sociais, cercados por pessoas de aparência semelhante à nossa, que compartilham de nossa visão política e nunca contestam nossas premissas. “A democracia precisa de você em sua plenitude. Se você está cansado de argumentar com desconhecidos na internet, experimente conversar com um desconhecido na vida real. Se alguma coisa precisa ser consertada, arregace as mangas e organize pessoas para consertá-la”, ressalta Obama.

Lá, como cá…resgatamos essas palavras para falarmos da necessidade urgente em praticarmos nossa presença, nossa escuta, nosso olhar e principalmente nos colocarmos nesse lugar de ação que nos faz exercer o que conhecemos como cidadania. Temos a cidade que precisamos? Como podemos resgatar ou preservar o sentido de lugar e a individuação que determina o caráter benéfico e a alma da cidade?

Hey Sampa comemora hoje três anos. Continuamos na busca inquietante de um significado e de um pertencer. Buscamos maneiras em chamar a atenção dos moradores da cidade de São Paulo para a valorização e utilização de seu patrimônio material e imaterial. Nos últimos meses atuamos para promover com diferentes parceiros a educação patrimonial e a sua melhor utilização nos espaços públicos da cidade, revisitando o conceito de cidade – escola e co-criando novos espaços educativos.

Aprender na cidade. Imagine levar os educativos dos museus da cidade para fora dos museus, conhecer seu entorno e sua história. Em 2016, Hey Sampa realizou essas saídas com Escolas Municipais e Centros de Juventude da periferia. A proposta era conhecer o centro da cidade, caminhando e associando suas histórias pessoais com as histórias daqueles lugares. Foram mais de 100 alunos em vários passeios. Jefferson do Centro de Juventude do Campo Limpo ficou abismado como “no centro da cidade só tem playba!”. Já Marina ficou com pena da situação de rua de muitas pessoas ali na praça da Sé: “eu queria entender porque eles dormem ali naquele lugar”. Olhar para a cidade é também se permitir a pertencer a ela. É um exercício de reflexão sobre a sociedade que vivemos, um exercício de empatia e resgate de memória e identidade própria. Chamamos isso de Educação Patrimonial. De caminhada em caminhada, de histórias, de olhares e de pessoas que fazemos nosso justo e simplíssimo papel – o de pertencer à cidade. Dessa maneira saímos de nossas próprias bolhas.

Aprender na prática que as ruas são uma constante fonte de conhecimento. Com a educação patrimonial é possível criar estímulos presenciais em conhecer e aprender com o espaço urbano, além de despertar novos olhares e assim valorizar e manter a história viva, construindo a relação cidadão-cidade.

A cidade acolhida. Cidade não se explica. Ela só é sabida ao ser explorada, praticada pela aventura da experiência. Para requalificar e ressignificar uma cidade pela educação, é necessário criar conexões necessárias para reaproximar o coração dos paulistanos ao coração da cidade, encontrando a cidade dentro de nós.

É nosso papel de cidadão disseminar os valores culturais e formas de preservar o patrimônio do lugar que vivemos, além de transmitir esse conhecimento às gerações futuras, que é, sobretudo, um projeto de formação de cidadãos livres, autônomos e sabedores de seus direitos e deveres.

Paulo Freire dizia que somos incompletos. Que nos perceber incompletos é importante para seguirmos em formação permanente, a vida inteira, de horizontes abertos para aprendermos com os outros e com o mundo.

Uma honra poder estar nesse lugar de protagonistas dessa cidade em movimento, que precisa ser ouvida, vivida e acolhida por nós e que hoje completa 463 anos.

Parabéns São Paulo!!! Seguimos em frente!

* André Rocha e Paula Dias são cofundadores do Hey Sampa.

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